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Presídio federal seguro onde Vorcaro ficará detido
Conhecida como o “novo presídio para pessoas famosas”, a Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, recebeu recentemente o banqueiro Daniel Vorcaro.
Porém, sua permanência será breve: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a transferência do proprietário do banco Master para a Penitenciária Federal em Brasília, que é uma das quatro unidades federais no Brasil, junto com as localizadas em Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Catanduvas (PR) e Campo Grande (MS).
Essa decisão foi tomada a pedido da Polícia Federal, que identificou riscos tanto para a segurança pública quanto para a integridade física de Vorcaro, caso ele continuasse em um presídio estadual.
Vorcaro foi preso na quarta-feira (4), por ordem de André Mendonça, como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente, esteve no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos e, na manhã seguinte, foi levado para Potim, de onde será encaminhado para o sistema prisional federal.
No ano passado, o jornal O Globo fez uma visita de um dia à penitenciária federal de Brasília, situada a menos de 15 quilômetros da Praça dos Três Poderes, o centro do poder no país. Na época, policiais penais usavam armas israelenses recém-adquiridas para treino de tiro em uma das torres de vigilância, fortalecendo o equipamento bélico que protege o presídio.
Originalmente construída para segregar líderes de facções, a unidade se transformou em referência para prevenção de fugas e resgates, abrigando alguns dos criminosos mais perigosos do Brasil. Cercada por um muro de 9 metros de altura, a penitenciária tem como internos alguns dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), como Marcos Hermes Camacho, conhecido como “Marcola”, e seu irmão, Alejandro Herbas Camacho Júnior, conhecido como “Marcolinha”; um integrante da máfia italiana, Nicola Assisi, apelidado de “fantasma da Ndrangheta”; além de um espião russo, Sergei Cherkasov, cuja extradição é disputada entre Estados Unidos e Rússia.
Rotina dos detentos
O dia dentro da penitenciária começa às 7 horas com a iluminação das celas individuais. As luzes são rigorosamente desligadas às 22 horas, horário destinado ao descanso. A saída das celas ocorre com o uso de algemas aplicadas pela portinhola; os detentos caminham de costas e com a cabeça baixa até um dos quatro pátios destinados ao banho de sol, que mais parecem quadras cimentadas com faixas amarelas pintadas no chão. O céu é protegido por telas que bloqueiam drones.
No pátio, os presos fazem exercícios físicos e caminham em grupos de até três pessoas — ultrapassar esse limite é considerado falta disciplinar. Nas quartas-feiras, jogam futebol usando bolas de borracha e formam times.
Aos fins de semana, podem assistir à televisão localizada em um dos pátios, que exibe programas gravados, como shows, filmes e jogos de futebol, but nunca transmissões ao vivo.
Na unidade federal de Brasília, cigarros são proibidos, assim como chocolates, refrigerantes e bebidas alcoólicas. Os internos recebem seis refeições diárias, incluindo um lanche após o jantar.
Para evitar deslocamentos externos para atendimento médico, a penitenciária possui uma minifarmácia, clínica odontológica e ambulatório, onde são realizados pequenos procedimentos cirúrgicos. Todo o mobiliário médico possui suporte para algemas.
Com atividades que incentivam a leitura, os presos são estimulados a entregar resenhas literárias em troca de redução de pena. Um dos livros mais populares entre eles é a coletânea de “Game of Thrones”, de George R. R. Martin, sendo que os exemplares passam por rigorosas inspeções para impedir o uso para troca de mensagens.
O parlatório é o único espaço onde os detentos têm contato com pessoas externas. Visitas íntimas são proibidas. Diálogos com advogados e familiares são gravados e monitorados por uma equipe de inteligência, que já descobriu advogadas escondendo bilhetes em locais inusitados.
Para entrar na ala dos presos, é necessário passar por três detectores de metal. Não há sinal de celular, o espaço aéreo é restrito, e scanners são usados para detectar possíveis túneis nas proximidades do presídio.

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