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Economia

Previ tem superávit de R$ 15,7 bilhões em 2025

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A Previ, a principal fundação de previdência complementar dos funcionários do Banco do Brasil (BB) e a maior do país, apresentou em 2025 um superávit de R$ 15,7 bilhões, revertendo o déficit de R$ 17,6 bilhões registrado em 2024. Esse resultado positivo foi impulsionado pela valorização expressiva de vários ativos nos quais a entidade investe no mercado financeiro.

No mercado acionário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), teve uma valorização de 34% em 2025, beneficiando diretamente a carteira da Previ.

Ao final do ano, o superávit acumulado atingiu R$ 12,5 bilhões, revertendo o déficit de R$ 3,2 bilhões observado no fim de 2024. Esse saldo acumulado é crucial para avaliar a saúde financeira de longo prazo da fundação e influencia decisões sobre possíveis ajustes futuros nos planos de previdência.

É importante ressaltar que o superávit apresentado não configura lucro, mas sim um saldo positivo calculado através do chamado “equilíbrio técnico”. Este método leva em consideração as projeções de gastos futuros com aposentadorias e pensões, além do valor e retorno dos investimentos realizados.

Os dados divulgados referem-se exclusivamente ao Plano 1 da Previ, principal plano da entidade, que não admite novas adesões desde o final da década de 1990.

O resultado positivo já havia sido antecipado em balanços parciais do ano, o que trouxe alívio à nova direção da Previ. O presidente Márcio Chiumento assumiu o cargo formalmente em novembro de 2025, após indicação em outubro.

De acordo com a diretoria, a valorização das ações e a boa rentabilidade dos títulos de renda fixa foram os principais responsáveis pelo superávit. No Plano 1, a rentabilidade média foi de 16,8% no ano, com destaque para um aumento de 39,6% na carteira de ações.

Com esse desempenho, o patrimônio total da Previ, incluindo outros planos como o Previ Futuro criado em 1998, alcançou R$ 300 bilhões ao final de 2025.

Segundo o presidente, a estratégia adotada foi bastante conservadora, com vendas pontuais em momentos de alta, totalizando R$ 21 bilhões em ações de 12 empresas. Destacam-se, dentre essas vendas, R$ 2,4 bilhões em papéis da BRF e R$ 12 bilhões da participação na Neoenergia, negócios que levaram a Previ a se desligar completamente dessas companhias.

As principais participações continuam sendo na mineradora Vale, na distribuidora de combustíveis Vibra, nos bancos Bradesco e BB, além da Petrobras. Em 2025, a fundação recebeu R$ 4,4 bilhões em dividendos dessas empresas.

Contexto político e estabilidade financeira

A administração anterior, liderada por João Luiz Fukunaga, enfrentou desafios significativos, incluindo questionamentos sobre sua qualificação para o cargo e ações judiciais. O déficit registrado em 2024 intensificou a pressão política sobre sua gestão.

Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizou uma auditoria na Previ, fundamentado na supervisão indireta, uma vez que o Banco do Brasil, patrocinador da fundação, é uma empresa estatal federal.

O superávit técnico de 2025 ajuda a tranquilizar participantes e pensionistas, pois déficits superiores a certos limites obrigam as entidades a implementar planos de ajuste que podem incluir redução de benefícios ou aumento de contribuições.

Histórico e solidez da Previ

Apesar dos problemas enfrentados por algumas fundações de previdência de estatais, marcados por má gestão e influência político-partidária, a Previ é reconhecida por sua boa governança e solidez.

A Operação Greenfield, da Polícia Federal, que investigou irregularidades em fundos de estatais, apontou perdas significativas no setor mas não afetou diretamente a Previ, que possui o maior patrimônio previdenciário do país, o que lhe confere maior resistência a déficits.

No Plano 1, um déficit acumulado superior a R$ 22 bilhões seria necessário para acionar um plano de ajuste, um cenário considerado extremamente improvável. Estima-se que a probabilidade de necessidade de equacionamento até 2032 seja de apenas 0,03%, o menor índice da história da entidade.

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