Brasil
Prisões negadas inicialmente em investigação de estupro em Copacabana
O delegado Ângelo Lages, responsável pela 12ª DP (Copacabana), que conduz a investigação sobre o estupro coletivo contra uma jovem de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio, detalha os passos do caso: desde a denúncia, a negativa do pedido de urgência até a detenção de dois suspeitos nesta segunda-feira.
Entenda a sequência dos fatos:
- O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro, um sábado;
- No dia 6 de fevereiro, sexta-feira, a Polícia Civil completou a investigação e solicitou ao plantão judiciário a prisão dos envolvidos e a apreensão dos celulares;
- Porém, o juiz plantonista entendeu que o caso não se tratava de urgência e encaminhou-o de volta ao juízo original;
- A Vara de Violência Doméstica recusou a competência por não existir vínculo conjugal entre a vítima e os acusados;
- O processo foi transferido para a 1ª Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente, que determinou a prisão dos quatro acusados em 25 de fevereiro;
- Em 3 de março, dois foragidos se apresentaram à polícia, enquanto outros dois permanecem sendo procurados.
Na manhã de terça-feira, dois suspeitos se entregaram: Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu à delegacia acompanhado de advogado e teve seu mandado de prisão cumprido. Já no início da tarde, João Gabriel Xavier Bertho, também de 19 anos, se apresentou na 10ª DP (Botafogo). Além desses, outros dois homens são apontados como suspeitos e foram indiciados por estupro coletivo qualificado — devido à vítima ser menor de idade — e cárcere privado.
Os demais acusados são: Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, sujeitos a penas que podem chegar a 18 anos de prisão. Uma quinta pessoa identificada pela polícia como envolvida é um adolescente de 17 anos, que já teve relacionamento com a vítima.
Conforme investigação da 12ª DP (Copacabana), o menor teria atraído a jovem para o apartamento onde ocorreu o crime, estando seu caso sob a apuração da Vara da Infância e Juventude.
Segundo o relatório policial, esse adolescente enviou uma mensagem via WhatsApp para a jovem por volta das 18h do dia 31 de janeiro, convidando-a a ir ao imóvel em Copacabana. Ele mencionou que outros dois amigos estariam presentes e sugeriu que a jovem levasse uma amiga, o que ela não fez, indo sozinha.
Os dois se encontraram na portaria do prédio e, dentro do elevador, ele insinuou que fariam algo diferente. A jovem expressou sua desaprovação e desconforto. Já no apartamento estavam Vitor Hugo — membro da família que possui o imóvel utilizado eventualmente para aluguel — e Mattheus Veríssimo Zoel Martins. A presença de João Gabriel Xavier Bertho e Bruno Allegretti também foi confirmada.
Após as apresentações, os dois adolescentes foram a um quarto. Começavam a se beijar quando Mattheus entrou fingindo ir buscar seu celular e saiu. Eles iniciaram uma relação sexual, momento em que três dos adultos entraram, observaram e fizeram comentários depreciativos. Mattheus tocou o seio da vítima, que protestou, levando os três a saírem do quarto. Pouco depois, o grupo adulto retornou, e a situação evoluiu para um estupro coletivo, conforme o depoimento da vítima à polícia.
De acordo com o relato da jovem, Mattheus — que estudou no colégio Intellectus (unidade Botafogo), onde concluiu o ensino em 2024, e é atleta do S.C. Humaitá na categoria sub-20, segundo dados da Liga Niteroiense de Desportos — foi o primeiro a tocar nela e a despir-se, ato repetido pelos demais acusados, deixando a vítima sem reação. Ao sair, ela ouviu Mattheus dizer que, da próxima vez, ela deveria levar uma amiga tão atraente quanto ela.

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