Centro-Oeste
Problemas e cobranças altas preocupam usuários do INAS DF
Muitos usuários do plano de saúde do Governo do Distrito Federal (GDF) estão enfrentando insatisfação com o serviço oferecido. As principais queixas ao Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores (INAS-DF) envolvem dificuldade para obter o informe de rendimentos, cobranças de coparticipação consideradas excessivas e falta de clareza sobre os valores cobrados. Além disso, servidores relatam dificuldade em resolver problemas através dos canais de atendimento disponíveis.
Problemas no credenciamento
A insatisfação dos beneficiários tem aumentado com a crise no INAS. Desde o início de 2026, o instituto passou por uma crise de credenciamento após o desligamento de cerca de 226 unidades, entre clínicas e laboratórios, o que limitou as opções de atendimento fora do Plano Piloto. O INAS justificou os cortes e o reajuste nas contribuições no final de 2025 como medidas para garantir a sustentabilidade do plano, que atende mais de 100 mil pessoas.
Contudo, a gestão financeira tem sido alvo de críticas por parte de usuários e prestadores. Adriana Correa da Silva Abdon, professora de 49 anos, descreveu um cenário de desorganização e falta de transparência. Ela relatou cobranças retroativas de coparticipação acumuladas por quase um ano, chegando a descontos de mais de R$ 3 mil em dois meses. Adriana destacou ainda dificuldades com atendimento, descredenciamento de clínicas e demora na autorização de cirurgias.
Longa espera para exames
Edriane Martins de Oliveira dos Santos, de 55 anos, relatou a espera angustiante pela liberação de uma biópsia de próstata para seu pai. O procedimento, que custa cerca de R$ 3 mil na rede particular, aguarda aprovação do INAS, que permanece parada em etapas de regulação e cotação. O quadro clínico é grave e a família depende da liberação para dar continuidade ao tratamento.
Problemas no sistema e cobranças erradas
Outra beneficiária do INAS relatou falhas graves de segurança no aplicativo da operadora. Ao acessar sua conta, encontrou dados vinculados a terceiros e cobranças indevidas, como exames e consultas que nunca realizou. Ao tentar esclarecer os valores, os registros sumiram do sistema. Após tentativa de resolver por telefone e portal digital, só obteve resposta ao comparecer pessoalmente, inicialmente enfrentando desdém, mas depois o problema foi encaminhado.
De prestígio à decepção
Leide Almeida Guimarães, servidora aposentada de 64 anos, comentou que o INAS era visto como um serviço excelente no início, mas com o aumento dos beneficiários, o atendimento piorou bastante. Ela apontou falta de transparência e atrasos nos pagamentos aos prestadores, o que motivou o descredenciamento de clínicas. O atendimento presencial tem sido difícil devido a problemas no site e falta de respostas no WhatsApp. Leide teve que custear exames particulares por falta de rede credenciada e não sabe como será o futuro do plano.
Posicionamento do INAS
O Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal (INAS-DF) informou que atualmente atende mais de 104 mil pessoas e tem feito esforços para melhorar a agilidade no atendimento. O órgão atribui os problemas operacionais e represamento de demandas a falhas na empresa responsável pela plataforma tecnológica que regula procedimentos, que não acompanhou o aumento da demanda.
De 2020 a 2025, foram realizados mais de 2,1 milhões de consultas, 1,68 milhão de sessões de terapias e 143 mil internações. A persistência das dificuldades levou o INAS a rescindir o contrato com a empresa de tecnologia e tomar medidas para regularizar o fluxo de autorizações o mais rapidamente possível, eliminando atrasos.

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