Centro-Oeste
Projeto da UnB cria jardim de chuva no Sol Nascente para combater impactos climáticos
No Trecho II do Sol Nascente, no Distrito Federal, a Universidade de Brasília (UnB) está realizando um projeto para ajudar a comunidade local a lidar com problemas causados pelas mudanças no clima. A área, que sofre com alagamentos, erosões e falta de áreas verdes, está recebendo soluções baseadas na natureza como alternativa às obras tradicionais de drenagem.
O projeto, chamado “Ação nas Periferias: Apoio à Implementação de Soluções Baseadas na Natureza para a Adaptação Inclusiva das Periferias Urbanas às Mudanças Climáticas”, conta com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
A coordenação fica a cargo da professora Liza Maria Souza de Andrade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, que atua na área de urbanismo relacionado à gestão da água em territórios periféricos.
Diagnóstico e resposta local
O projeto começou com um estudo no próprio bairro, que identificou problemas comuns como enchentes frequentes, erosão do solo, drenagem deficiente e escassez de áreas verdes. Esses problemas pioraram com o aumento dos eventos climáticos extremos.
As soluções baseadas na natureza usam processos naturais para resolver problemas urbanos. Ao invés de depender apenas de canais e concreto, a estratégia usa vegetação, solo permeável e sistemas naturais de drenagem para ajudar a água da chuva a infiltrar no solo, diminuindo o risco de enchentes e melhorando a infraestrutura verde.
Jardim de chuva como exemplo
No Sol Nascente, foi criado um jardim de chuva na bacia de detenção da Quadra 209. Essa estrutura foi feita para captar e infiltrar a água da chuva, ajudando a reduzir riscos ambientais e sociais na região.
O trabalho foi feito com a participação dos moradores, que ajudaram no diagnóstico, na escolha do local e na execução do jardim. Oficinas, cursos e atividades educativas envolveram a comunidade, mostrando que é possível construir soluções climáticas com a participação local.
Parcerias e tecnologia
O projeto faz parte do SbN nas Periferias, coordenado pelo Ministério das Cidades, e contou com a colaboração da Administração Regional do Sol Nascente/Pôr do Sol, do CAU-DF, do Coletivo Panã, da Rede Ecosol, da Escola PNorte, do gabinete Aba Reta da CLDF e do Consórcio Internacional TRANS-Lighthouses da Universidade de Coimbra.
O uso de drones e fotogrametria ajudou a mapear áreas de risco e planejar as intervenções com mais precisão.
Formação e impacto
A capacitação foi uma parte fundamental do projeto. Moradores, líderes comunitários e estudantes receberam certificados após participarem das atividades, aumentando a capacidade local para cuidar e monitorar as estruturas criadas.
Entre os resultados estão a criação de infraestrutura verde em área vulnerável, a elaboração de uma metodologia para replicar o projeto em outros locais, a produção de materiais técnicos e científicos e a base para políticas públicas de adaptação ao clima.
Estima-se que cerca de 500 pessoas foram beneficiadas diretamente e entre 3 mil e 5 mil indiretamente, considerando o alcance e a possibilidade de replicar o projeto em outras áreas.
Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, o projeto mostra como a pesquisa aplicada pode ajudar a diminuir vulnerabilidades e promover o desenvolvimento sustentável no Distrito Federal.

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