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Protesto na Cinelândia do Rio contra sequestro de Nicolás Maduro
Local simbólico de protestos políticos, a Cinelândia recebeu na tarde desta segunda-feira um grande grupo de pessoas que se manifestavam contra o rapto do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa Cilia Flores, ocorrido no último sábado (3), quando tropas estadunidenses atacaram a capital Caracas.
A mobilização foi organizada durante o fim de semana pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, composta por cerca de 50 entidades.
O ataque à capital Caracas e o sequestro do presidente Maduro – retirado à força para uma prisão em Nova York junto com a esposa pelo Exército dos Estados Unidos –, foram anunciados pelo então presidente norte-americano Donald Trump na manhã do sábado.
Maduro é acusado de narcoterrorismo, tráfico de drogas para os EUA, posse e conspiração para adquirir armas automáticas. Em uma audiência realizada na segunda-feira (5) em um tribunal nova-iorquino, o presidente venezuelano declarou-se inocente de todas as acusações e afirmou ser um prisioneiro de guerra.
Perspectivas dos venezuelanos presentes
A Agência Brasil esteve presente na manifestação na Cinelândia e conversou com venezuelanos que participaram do ato.
O venezuelano Ali Alvarez, estudante de mestrado e residente no Brasil há oito anos, estava indignado com o ocorrido. “Não esperava que isso acontecesse na Venezuela. Me senti indignado”, afirmou. Ele é aluno da pós-graduação em tecnologia para o desenvolvimento social da Universidade Federal do Rio de Janeiro e destacou que a iniciativa dos EUA representa uma violência contra o povo venezuelano e a Constituição Bolivariana.
O músico e artista Alexis Graterol, no Brasil há 20 anos, compartilhou a posição de Ali Alvarez e afirmou que as acusações contra Maduro são falsas. Ele acredita que a intenção de Trump é exclusivamente dominar os recursos naturais da Venezuela.
Outro venezuelano, o psicólogo Marco Mendoza, que mora no Chile há oito anos e estava no Rio de Janeiro, mostrou-se surpreendido, mas concordou com a intervenção dos EUA, argumentando que a Venezuela já sofria interferências externas de vários países e grupos.
Resistência e soberania
O cineasta colombiano Raúl Vidales, também no Rio, expressou preocupação com uma possível ação dos Estados Unidos contra seu país, que abriga bases militares norte-americanas. Ele espera uma resistência cidadã firme em defesa da soberania e uma ação coletiva interamericana e global contra o que denominou fascismo.
O brasileiro Daniel Iliescu, presidente estadual do PCdoB, manifestou esperança de que a sociedade civil na América Latina, organismos internacionais e governos democráticos possam reagir para reverter a atual instabilidade na região, ressaltando o enfraquecimento do multilateralismo em favor do uso da força unilateral pelos Estados Unidos.
População venezuelana no Brasil
Segundo dados do IBGE, os venezuelanos constituem o maior grupo de imigrantes no Brasil, totalizando cerca de 200 mil pessoas de um total de 1 milhão de estrangeiros residentes no país.
De acordo com o Subcomitê Federal para Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade, entre abril de 2018 e novembro de 2025, mais de 115 mil venezuelanos receberam apoio do governo brasileiro para regularizar sua situação e estabelecer residência. Destes, 3.290 fixaram residência no Rio de Janeiro.

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