Brasil
Protesto no Rio recorda 8 de janeiro e rejeita perdão a golpistas
Centrais sindicais e movimentos sociais realizaram nesta quinta-feira (8) uma manifestação em defesa da democracia na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro.
A mobilização marcou os três anos dos ataques de 8 de janeiro de 2023, data crucial da tentativa de golpe de Estado julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Naquele dia, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e danificaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF, em Brasília.
Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro (CUT-RJ), Sandro César, a data representa a necessidade de vigilância constante.
“Este ato simboliza mais um ano do movimento inaceitável realizado pelos golpistas no Brasil, com a intenção de violar a democracia brasileira e derrubar o Estado Democrático de Direito. É algo que pensávamos ser distante, mas voltou a acontecer no país”, declarou Sandro.
Ele ainda ressaltou o papel das condenações como um importante exemplo histórico.
“Ex-presidente preso, generais golpistas detidos e envolvidos no golpe encarcerados. Isso é o que deve ocorrer quando a Constituição da República é violada para destruir o pacto constitucional, republicano e democrático do Brasil. É um ensinamento crucial para que as futuras gerações jamais pensem em tentar tal ação”, acrescentou o líder sindical.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (Seeb/Rio), José Ferreira, manifestou reprovação a qualquer tentativa de perdão aos envolvidos.
“Não podemos aceitar anistia para os golpistas, nem essa estratégia disfarçada que, na prática, é uma anistia. O presidente Lula vetou o projeto, mas ele retornará ao Congresso e precisamos estar nas ruas para pressionar contra esse benefício que ameaça a democracia”, afirmou Ferreira.
João Pedro, ativista do movimento de juventude Juntos (antifascista, anticapitalista e ecossocialista) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-RJ), destacou a importância da mobilização contínua.
“Nesta data importante, recordamos a necessidade de estarmos sempre ativos. É fundamental permanecer atentos aos frequentes ataques da extrema direita que temos testemunhado”, disse o militante.
“É essencial iniciar o ano com mobilização. Precisamos resistir e também apresentar alternativas para a crise. Mostrar que é possível construir uma nova sociedade e superar os desafios atuais”, complementou.
8 de janeiro
Há três anos, milhares de pessoas marcharam pela Esplanada dos Ministérios, romperam bloqueios policiais e atacaram os prédios dos Três Poderes, exigindo a queda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente e empossado há pouco tempo.
Três anos depois, o STF condenou 1.399 pessoas envolvidas nos atos golpistas. Os dados foram atualizados nesta segunda-feira (8) pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos. Segundo o balanço, 179 pessoas estão presas, sendo 114 em regime fechado após o trânsito em julgado das sentenças. Outras 50 cumprem prisão domiciliar e há ainda 15 prisões preventivas.
As condenações incluem o ex-presidente Jair Bolsonaro e 28 ex-membros de seu governo, responsabilizados por planejar uma tentativa de golpe para impedir a posse de Lula. Entre os presos, também figuram cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal, condenados por omissão ao permitirem o acesso dos manifestantes à Praça dos Três Poderes.

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