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PSB mantém Alckmin na vice e ele prefere desistir a mudar de posto
A permanência do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), na chapa de reeleição é prioridade máxima para o partido, apesar do convite público do presidente Lula (PT) para que considere se candidatar ao Senado por São Paulo. Os dois fizeram um pronunciamento conjunto na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC nesta quinta-feira, 19, ocasião em que Fernando Haddad, ministro da Fazenda, teve confirmada sua disputa pelo governo estadual.
— Ficarei muito satisfeito em ter o Alckmin como vice novamente. Ele é um parceiro que admiro, pela lealdade e competência, um executivo exemplar que me apoia muito. No entanto, é preciso conversar com o Haddad para decidir onde sua atuação trará mais benefícios. Talvez concorrendo ao Senado ajude mais — declarou Lula.
Embora dirigentes do PSB prefiram não comentar diretamente, reconhecem em reservado que o presidente cria uma pressão desconfortável para o vice. Isso porque o presidente nacional do partido, João Campos, prefeito de Recife, deixou claro em reunião recente com Lula que manter o vice na chapa é inegociável.
O PSB não pretende dificultar a segunda vaga ao Senado em São Paulo, apoiando a aliança com o PT, e está disposto a ajudar na campanha estadual do partido. Porém, fontes internas afirmam que, se Alckmin for preterido em favor de uma aliança com siglas do Centrão, como o MDB, sua alternativa será “voltar para casa” e não disputar outro cargo público.
É incerto o que Lula busca com essa movimentação política. Um aliado antigo de Alckmin entende que ele só aceitaria a reeleição e que as declarações seriam para pressionar a resolução do impasse político em São Paulo, envolvendo os ministros Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede), ambos cotados para o Senado ou vice.
A filiação da ex-senadora Simone Tebet ao PSB, mudando seu domicílio eleitoral para São Paulo, é dada como certa. França, que não concorre ao governo, não deseja ser vice de Haddad, preferindo o Senado. Também há discussões sobre manter ministérios para ele e Marina, que preferem não disputar deputado federal.
Do lado petista, declarações de Lula sobre o vice disputando o Senado são vistas como sinal de que a disputa está aberta e de que Alckmin poderia ser convencido a concorrer com um pedido mais direto do presidente. Até recentemente, o assunto era considerado resolvido.
Outro aliado político ressalta que mudanças de discurso são comuns em ambos os lados até a definição final. Nesse período, Alckmin lidera pesquisa Datafolha para o Senado com 31% das intenções de voto, à frente de nomes como Simone Tebet, Marina Silva, Márcio França, e outros candidatos.
A definição da chapa estadual é prioridade na pré-campanha de Haddad, que reuniu jornalistas nesta sexta-feira, 20. Ele disse que discutirá com o PT e aliados para definir a melhor composição, considerando natural a permanência de Alckmin como vice, apesar das dúvidas geradas por Lula.
— Estamos confiantes na solução atual, da qual participei ativamente. A chapa é fundamental para o Brasil, mas quero ouvir Alckmin sobre as chances e a melhor configuração para o sucesso — afirmou o pré-candidato.
Além do vice, a disputa pelo Senado traz desafios para ampliar o apelo eleitoral além da esquerda e centro-esquerda. O partido busca um perfil de empresário progressista que dialogue com o interior e quebre resistências em setores conservadores do estado, onde historicamente têm melhor desempenho na capital e arredores.
Dentre as opções, França tem vantagem sobre Marina por sua ligação com a Baixada Santista, governo estadual em 2018, e boa relação com prefeitos, segundo fonte petista. A campanha de Haddad avalia que o adversário Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem vínculos conflitantes com prefeitos, o que pode enfraquecer seu apoio, apesar de alianças partidárias amplas.

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