Brasil
PT planeja estratégia para associar rejeição de Bolsonaro a Flávio e conter imagem de ‘moderado’
A liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) definiu na última terça-feira, durante uma reunião na Câmara, uma nova tática para desgastar a figura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que até o momento tem sido o principal concorrente de Luiz Inácio Lula da Silva na pré-campanha à reeleição.
Com a participação da Executiva, deputados e do presidente do partido, Edinho Silva, ficou acordado que o foco central será contestar a construção do suposto “perfil moderado” que o senador tenta apresentar.
O PT pretende ressaltar a ligação de Flávio com as atitudes do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que acumulou alta rejeição e perdeu as eleições em 2022.
Durante o encontro, discutiu-se como os governistas devem avançar nos ataques para tentar desfazer a imagem de moderação ao redor de Flávio.
Recentemente, Flávio adiou a divulgação das diretrizes de sua campanha para evitar críticas que pudessem comprometer sua boa avaliação nas pesquisas.
O partido observa um crescimento na percepção entre os eleitores de que Flávio seria o filho “do bem” do ex-presidente. Por isso, a estratégia delineada reforça a necessidade de associar novamente o sobrenome Bolsonaro a ele, algo que, segundo parlamentares, tem sido perdido para parte do eleitorado.
A intenção é ampliar os ataques para além de episódios polêmicos da vida de Flávio, como o caso das rachadinhas, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro, e a polêmica envolvendo uma loja de chocolates ligada a ele, que esteve sob suspeita de lavagem de dinheiro.
Além disso, os petistas querem lembrar da condução do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, período que causou grande desgaste perante a população, e também a condenação do ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe.
Participantes da reunião relataram que o encontro foi produtivo e serviu para alinhar a estratégia do partido diante do cenário eleitoral nacional. Outro ponto discutido foi a organização das frentes e palanques do PT nos estados, apresentado por Edinho Silva.
Também foi debatida a possibilidade de estender o prazo da CPI do INSS, decisão recente do ministro do Supremo André Mendonça. Está sendo analisada a hipótese de apresentar um pedido para suspeição do presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), por suposto vínculo com a Igreja Lagoinha, mencionada no escândalo do Master.
O partido reage após o ministro Flávio Dino, também do STF, dar um prazo de cinco dias para que o senador Viana esclareça o repasse de R$ 3,6 milhões em emendas a uma fundação vinculada à Lagoinha, fato que causou irritação no presidente da CPI.


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