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PT quer parceria com PSB no DF
O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass (PT), que está na disputa para ser governador do Distrito Federal, tem tentado fechar uma aliança com o PSB. Os socialistas apostam no ex-interventor Ricardo Capelli, mas na visão de Grass, isso dividiria a esquerda. Em depoimento ao podcast “Direto de Brasília”, ele fez críticas fortes ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e à vice Celina Leão (PP), seus adversários nas eleições de outubro. Ele também enfatizou que garantir a reeleição do presidente Lula (PT) é a principal prioridade do partido.
Deixa em breve o comando do Iphan por causa das eleições. Essa vivência vai ajudar na candidatura ao governo do DF ou pretende seguir outro caminho?
Essa passagem soma muito à minha trajetória. O Iphan é complexo, uma das maiores autarquias do governo federal, com 27 superintendências e 37 escritórios técnicos. Demandou muito diálogo, pois converso com governadores e prefeitos por todo o país. Saio mais preparado para uma gestão pública séria, popular e participativa, com muita capacidade política.
Assumiu logo após o episódio do dia 8 de janeiro. Conseguiram recuperar tudo que foi destruído em Brasília?
Sim, recuperamos tudo. Foi um momento muito difícil e violento para nós, moradores daqui. O Iphan apoiou a reconstrução com orientação técnica, sempre respeitando que os bens tombados têm seus donos e gestores. A gente ajudou a recuperar 20 peças danificadas em parceria com a Universidade Federal de Pelotas.
Qual o prejuízo financeiro dessas destruições?
É difícil estimar, pois obras de arte como as do Di Cavalcanti não têm preço definido. A AGU estimou cerca de R$ 25 milhões de danos à União, incluindo a Praça dos Três Poderes e o Palácio. Mas esse valor é simbólico e não cobre o verdadeiro impacto que foi também emocional e histórico. O Brasil deu uma boa resposta técnica e institucional com a atuação do Iphan e Ministério da Cultura.
Concorrer ao governo do Distrito Federal em 2022 traz alguma mudança nesses quatro anos?
Estamos quase completando oito anos de um que chamo de governo ruim em Brasília. A administração de Ibaneis Rocha e Celina Leão é marcada por escândalos de corrupção, com investigações envolvendo o BRB, Banco Master e saúde. O ex-secretário de Economia foi condenado. Para mim, é um governo corrupto.
O caso do Banco Master pode influenciar as eleições?
Em Brasília, o maior problema foi o risco ao BRB, que é essencial para a cidade, com financiamento imobiliário, folha dos servidores, mobilidade e previdência. Colocar o BRB em risco é colocar Brasília em risco. A atuação de Ibaneis e Celina nesse episódio mancha a administração. Completei oito anos dessa tragédia política. Em 2022, enfrentei Ibaneis na eleição e perdi por menos de 5 mil votos, quase indo para o segundo turno.
Se o processo judicial avançar, isso inviabilizaria Ibaneis para o Senado?
Tudo indica envolvimento direto de Ibaneis no caso, já que ele e Celina Leão sempre defenderam a compra do Banco Master pelo BRB. Há conflitos de interesse evidentes. Eu já denunciei várias dessas situações quando fui deputado distrital.
Há chance de aliança com Ricardo Capelli, que também é pré-candidato pela esquerda?
Unidade partidária é importante, mas também precisamos unir a sociedade. Tenho diálogo aberto com o PSB e tentamos construir um acordo coletivo, deixando projetos individuais de lado. Estamos bem nas pesquisas e temos capacidade de reunir vários partidos. Brasília precisa avançar, não retroceder.
O desgaste da última gestão do PT em Brasília poderia prejudicar sua campanha?
Os governos de PT e aliados tiveram bons resultados, mas faltou comunicação adequada. Ibaneis é bom em divulgar, mesmo que muitas vezes informações sem valor real. Ele investiu em comunicação que ataca os adversários com fake news e processos judiciais contra nós. Precisamos mostrar melhor as nossas conquistas, destacando a diferença entre o governo local de Ibaneis e o federal do presidente Lula, que mesmo enfrentando resistência, governa com responsabilidade.
Seu discurso polariza com Ibaneis, mas há o ex-governador José Roberto Arruda. Ele tem chance na disputa?
A situação judicial de Arruda está em andamento. Tenho respeito pela maioria dos políticos, menos por fanáticos e extremistas. Se ele confirmar candidatura, participará. Defendo que Brasília volte a crescer, pois o governo atual a está levando para trás.
O caso do BRB tem mais peso que o do Banco Master na campanha?
O rombo de R$ 12 bilhões no BRB é gravíssimo, equivalente a 12 estádios Mané Garrincha ou centenas de escolas e hospitais. Esse dinheiro poderia beneficiar a população, mas foi direcionado para a compra de ativos do Master. Agora, o governo quer usar terrenos públicos para garantir empréstimos. Pergunto: onde está esse dinheiro?
Lula lidera as pesquisas. Pode ganhar no primeiro turno?
O presidente Lula é um dos maiores líderes políticos do país pelo que fez pelo Brasil. O país precisa continuar esse ciclo com economia estável e crescimento.

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