Conecte Conosco

Notícias Recentes

PT tentou impedir homenagem a Alckmin e Serra em escola de samba de SP em 2006

Publicado

em

Há vinte anos antes da controvérsia envolvendo o enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que este ano apresentará na Marquês de Sapucaí a trajetória do Luiz Inácio Lula da Silva (PT), outro episódio carnavalesco em torno de pré-candidatos às eleições agitava a política e a justiça no Brasil.

Em 2006, a escola paulista Leandro de Itaquera apresentou uma alegoria com bonecos de Geraldo Alckmin e José Serra, ambos então no PSDB, gerando indignação no PT.

A situação foi noticiada pelo Metrópoles e confirmada pelo GLOBO. Naquele ano, Lula disputava a reeleição presidencial. Alckmin, que atualmente está no PSB como vice de Lula, e o então prefeito de São Paulo, Serra, surgiam como os principais adversários.

Meses antes das eleições, a Leandro de Itaquera desfila no Sambódromo do Anhembi com um enredo sobre “festas e tradições paulistas nas águas do novo Tietê”, fazendo referências a eventos locais — como a parada gay e o carnaval — e às obras de rebaixamento do rio, tema caro ao PSDB em São Paulo.

Um dos carros do desfile apresentava bonecos gigantes de Alckmin e Serra, um busto do ex-governador Mário Covas e, na dianteira, um tucano.

Vereadores do PT na Câmara de São Paulo ajuizaram ação popular para impedir a apresentação da homenagem a Alckmin e Serra na avenida. Além disso, o partido solicitou uma investigação sobre o financiamento público recebido pela escola e ajuizou queixa por possível infração à legislação eleitoral.

Na época, o líder da bancada do PT na Câmara Municipal, vereador Arselino Tatto, declarou que aquilo era um uso de recursos públicos para promoção pessoal e campanha eleitoral.

O PT buscava uma liminar para barrar o desfile do carro alegórico, mas o evento foi mantido. Em 2006, a escola Leandro de Itaquera foi rebaixada. Lula foi reeleito, Alckmin perdeu para ele, e Serra tornou-se governador de São Paulo.

Até hoje, a escola é dirigida por Leandro Alves Martins, que havia sido candidato a vereador pelo PSDB em 2004, sem sucesso.

Este ano, a Acadêmicos de Niterói estreia no Grupo Especial com o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, celebrando a vida de Lula, desde sua infância em Garanhuns (PE), passando pela migração a São Paulo, sua atuação como metalúrgico e líder sindical, até seu mandato como presidente.

A Justiça Federal recusou recentes ações movidas por parlamentares da oposição contra a escola de samba carioca, por suposta propaganda eleitoral antecipada.

A senadora Damares Alves apresentou denúncia ao Ministério Público Eleitoral criticando os recursos públicos destinados à escola, vindo da parceria entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), que repassa R$ 12 milhões para as doze agremiações do Grupo Especial.

O juiz Francisco Valle Brum considerou que as ações populares não eram cabíveis, pois não havia ilegalidade nem risco ao patrimônio público.

Outro parlamentar, deputado federal Kim Kataguiri, também questionou o repasse de R$ 1 milhão para a escola de Niterói, alegando uso para promoção de Lula. Sua ação também foi rejeitada.

A Liesa esclareceu que o termo de cooperação técnica, com interveniência do Ministério da Cultura, prevê distribuição igualitária dos recursos entre as 12 escolas do Grupo Especial do Rio, cada uma recebendo R$ 1 milhão.

Em 2025, o Ministério do Turismo apoiou o desfile das escolas de samba com o mesmo valor de R$ 12 milhões, distribuídos equitativamente pela Liesa entre as escolas.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados