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Quanto tempo vai durar o silêncio do líder da Otan sobre a Groenlândia?
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, decidiu manter uma postura de silêncio para evitar que a Aliança militar se envolva diretamente no conflito entre os Estados Unidos e a Dinamarca sobre a Groenlândia. A eficácia dessa estratégia ainda não está clara.
Rutte tem evitado responder a perguntas delicadas, mantendo elogios ao presidente americano Donald Trump, mesmo diante das ameaças de anexação da Groenlândia, região autônoma da Dinamarca, com o argumento de garantir a segurança dos Estados Unidos.
Esse tipo de pretensão pode comprometer a unidade da aliança militar, que existe há 76 anos e inclui tanto os Estados Unidos quanto a Dinamarca.
A atitude do ex-primeiro-ministro holandês tem sido vista como, no mínimo, polêmica.
Durante uma reunião com eurodeputados esta semana, Rutte foi pressionado a se manifestar.
“Os moradores da Groenlândia estão muito preocupados”, declarou a eurodeputada dinamarquesa Stine Bosse. “Por favor, diga o que a aliança poderia fazer se dois países membros não chegarem a um acordo.”
Contudo, Rutte manteve uma expressão serena e evitou comentários decisivos.
“Sei exatamente meu papel como secretário-geral: não comento quando existem divergências internas na aliança”, explicou. “Estamos atuando nos bastidores”, afirmou Rutte, escolhido em 2024 por sua habilidade em se relacionar com Trump, com quem construiu uma relação de confiança.
Ele também reconheceu o papel do presidente americano em motivar os países europeus da Otan a aumentarem significativamente seus gastos com defesa.
“Foi graças ao presidente Trump – e sei que muitos discordam, mas é minha opinião”, declarou aos parlamentares.
Rutte acredita que a segurança do Ártico pode ser garantida sem a necessidade de uma intervenção militar na Groenlândia.
“Existe um consenso na Otan de que, para proteger o Ártico, precisamos agir juntos, e é isso que estamos fazendo”, garantiu.
Porém, permanece a dúvida sobre como agir caso o presidente Trump mantenha sua postura firme.
De acordo com Jamie Shea, do centro de estudos britânico Chatham House, Rutte “precisa agir rápido, porém discretamente, para convencer os Estados Unidos”.
Para o ex-secretário-geral adjunto da Aliança, Camille Grand, trata-se de uma missão diplomática delicada, cuja eficácia dependerá do momento da ação.
Grand acredita que Rutte possui “a legitimidade para buscar soluções, entendendo a preocupação americana e apresentando propostas da Otan”.
Em Bruxelas, estão sendo avaliadas diversas alternativas, incluindo a criação de uma nova missão para o Ártico, inspirada no modelo utilizado no mar Báltico, com o objetivo de conter potenciais ações da Rússia.
Recentemente, forças militares de vários países europeus visitaram a Groenlândia para analisar a possibilidade de uma mobilização da Otan na região.
Caso essas medidas não sejam suficientes, há a possibilidade de Rutte usar seu capital político junto a Trump para estabelecer limites claros, embora essa medida seja considerada extrema.
“Se Rutte falhar agora, pode perder credibilidade diante de Trump”, explicou um diplomata. “Ele esperava reservar essa carta para a questão da Ucrânia, mas pode precisar usá-la no caso da Groenlândia.”
Donald Trump deve participar do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na próxima semana, e a possibilidade de Mark Rutte também estar presente no evento não está descartada.

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