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Centro-Oeste

Quase três mil pessoas vivem em áreas de perigo no DF

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O Distrito Federal conta com cerca de três mil moradores vivendo em zonas consideradas de perigo. De acordo com informações oficiais da Secretaria de Segurança Pública do DF, existem 25 áreas com alerta, sendo 16 de muito alto risco e 9 de alto risco. Estas áreas abrigam 742 casas e aproximadamente 2.968 pessoas.

Entre os locais mais afetados está Sobradinho II, especialmente na região da Vila Rabelo 2, com 198 casas e cerca de 792 moradores em áreas de risco muito alto. O Núcleo Bandeirante, na Vila Cauhy, também apresenta 104 residências em risco elevado. Planaltina, com duas regiões de alerta, possui 69 casas e 276 moradores. Outras áreas preocupantes incluem Arniqueira, Fercal, Gama, Recanto das Emas, Riacho Fundo 1, Setor Habitacional Água Quente, Sol Nascente e Pôr do Sol, Vicente Pires e SCIA.

Os perigos variam desde enxurradas, alagamentos, inundações e deslizamentos até erosões, colapso de construções e incêndios florestais. No SCIA, há também risco tecnológico ligado ao setor de inflamáveis.

A maior parte das ocorrências está associada a ocupações irregulares, terrenos íngremes e falta de drenagem adequada. Áreas com risco alto ou muito alto indicam possibilidade de danos sérios às residências e à população. Os dados foram reunidos a partir de mapeamento, zoneamento e levantamento cadastral de todo o Distrito Federal.

Mapa já apontava os riscos

Em 2022, um estudo do Serviço Geológico do Brasil já identificava 22 áreas de riscos, com destaque para deslizamentos e erosões em zonas como Sobradinho II, Fercal, Riacho Fundo I, Arniqueira e Sol Nascente. O estudo indicou que cortes nas encostas e aterros mal estruturados aumentam o perigo.

A falta de drenagem urbana e o despejo de esgoto nas encostas agravam ainda mais a situação. Lotes instáveis apresentaram trincas em casas, muros comprometidos e registros de desabamentos anteriores.

Problemas na Vila Cauhy

Walter Marques, líder comunitário da Vila Cauhy, relata que a região sofre com alagamentos frequentes, especialmente nas três pontes locais. Algumas obras recentes, como muros de gabião, têm ajudado, mas a ponte Canarinho ainda necessita de atenção especial.

Ele também comenta que a regularização fundiária é essencial para que melhorias de infraestrutura possam ser implementadas, porém ainda não ocorreu.

O maior alagamento registrado foi em 2024, quando a água invadiu casas, deixando famílias ilhadas e causando grande prejuízo, inclusive a perda de animais domésticos.

Depoimentos de moradores

Gisele da Silva, moradora de longa data na Vila Cauhy, conta que sua casa foi alagada em 2024. Mesmo sabendo dos riscos, não tem outra opção de moradia para a família. Muitos vizinhos, desanimados, foram embora para suas cidades natais.

Benice da Conceição, costureira que tem uma loja próxima à ponte Liverpool, relata o receio de novos alagamentos. Ela ressalta a necessidade de melhorias em outra ponte ainda vulnerável, destacando o risco de perdas maiores caso uma nova enchente ocorra.

Atuação da Defesa Civil

A Defesa Civil do Distrito Federal monitora 25 áreas de risco, podendo recomendar a interdição ou desocupação de imóveis em situações graves. Durante a época das chuvas, o órgão intensifica o trabalho de acompanhamento meteorológico e emite alertas por SMS, televisão, Telegram e WhatsApp.

A população pode colaborar comunicando situações de risco pelos canais oficiais, incluindo telefone, aplicativo e ouvidoria.

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