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Economia

Queda de 14,2% nos investimentos em máquinas em fevereiro, aponta Abimaq

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Os aportes em máquinas e equipamentos no Brasil registraram uma redução de 14,2% em fevereiro, na comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 29 bilhões em bens de capital nacionais e importados.

Em relação a janeiro, houve um aumento de 8,5% nas aquisições de máquinas. Essas informações foram divulgadas pela Abimaq, a entidade que representa os fabricantes do setor, na segunda-feira, 30.

De acordo com a associação, os dados de fevereiro indicam uma mudança mais clara no ciclo de investimentos no país. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, as compras caíram 17,9%, atingindo R$ 55,6 bilhões.

A redução dos investimentos afetou quase todas as áreas econômicas, com destaque para a agricultura e a indústria de bens de consumo duráveis, que sofreram os maiores recuos. Por outro lado, setores como infraestrutura e indústria básica apresentaram aumento de 3,9% nas aquisições nos dois primeiros meses do ano.

As máquinas nacionais tiveram uma queda de 18,8% nas compras em relação ao ano anterior, totalizando R$ 15,1 bilhões em fevereiro. Considerando as exportações, que cresceram 5,2% em reais, o total das vendas da indústria de máquinas chegou a R$ 20,6 bilhões, uma redução de 13,6% em comparação ao mesmo mês de 2025.

A Abimaq destaca que o mercado externo não conseguiu compensar a retração das vendas domésticas. Simultaneamente, as importações aumentaram 5,9% em relação a fevereiro do ano passado, alcançando US$ 2,6 bilhões, sendo que 36% desse valor (US$ 919 milhões) veio da China. Apesar da queda de 2,7% no acumulado do primeiro bimestre, as importações já representam quase metade (49,7%) do total de máquinas adquiridas no Brasil.

A menor participação dos produtos nacionais sugere problemas de competitividade relacionados a fatores estruturais, como custo de produção, escala e condições de financiamento.

O balanço da Abimaq também revelou que aproximadamente 3 mil empregos foram perdidos nas fábricas de máquinas e equipamentos entre janeiro e fevereiro, reduzindo o quadro para 414,8 mil trabalhadores.

O índice de utilização da capacidade instalada no setor teve um leve aumento de 0,4 ponto percentual, alcançando 78,5%. Contudo, esse indicador ainda não reflete completamente a desaceleração atual, pois a adaptação da produção tende a ocorrer com atraso.

Perspectivas

A Abimaq revisou suas projeções para o crescimento da produção do setor em 2026, reduzindo a expectativa de 3,5% para apenas 0,5%, após os primeiros resultados do ano indicarem uma desaceleração nos investimentos produtivos no país.

Em relação às vendas totais do setor, incluindo mercado interno e exportações, a previsão caiu de 4% para 0,3%.

No primeiro bimestre, a receita da indústria diminuiu 15,2%, reflexo da queda nos investimentos em meio ao cenário de juros elevados, alto endividamento, menor dinamismo econômico e aumento das importações, que já representam metade do consumo nacional de bens de capital.

Parte da demanda continuará sendo sustentada pelos pedidos dos setores extrativo e de infraestrutura. Contudo, os resultados menos favoráveis no início do ano, especialmente em máquinas agrícolas e equipamentos para a indústria de transformação, levaram a Abimaq a reduzir suas expectativas.

A previsão aponta para crescimento de 0,7% nas vendas domésticas de máquinas brasileiras, enquanto as exportações, em reais, podem cair 1% em 2026.

Ao anunciar a revisão, a diretora de Economia da Abimaq, Cristina Zanella, afirmou que o primeiro corte do Banco Central na taxa básica de juros, de 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano, teve impacto simbólico, não sendo suficiente para estimular os investimentos.

“Na prática, não tem impacto nenhum nos investimentos. Esperávamos uma redução de pelo menos 0,5 ponto para um impulso maior”, comentou a economista, ressaltando que a taxa permanece alta em relação às necessidades do país.

Para as vendas de máquinas agrícolas, que caíram 17% no primeiro bimestre, a Abimaq manteve a projeção de retração de 8% para o ano. A previsão considera o efeito dos juros altos, a redução da rentabilidade dos agricultores devido à queda dos preços internacionais das commodities e a valorização do real, que diminui o valor exportado quando convertido para a moeda brasileira.

Essa rentabilidade pode ser ainda mais afetada, dependendo da duração dos conflitos no Oriente Médio, que geram elevação nos custos com diesel e fertilizantes para os produtores rurais.

“O único aspecto positivo é que teremos uma boa safra. No entanto, a redução nos preços das commodities foi maior que o aumento da produção, resultando em um ano pouco favorável”, afirmou o presidente da câmara setorial de máquinas e implementos agrícolas da Abimaq, Pedro Bastos.

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