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Queda de Maduro eleva esperanças para economia da Venezuela

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“Tomara que os salários melhorem. Já não dá para aguentar esta inflação”, diz a professora Marieta Ochoa, de 47 anos. Como muitos na Venezuela, ela espera que os acordos com os Estados Unidos “ajudem a impulsionar a economia” e tragam condições de vida melhores.

A intervenção militar americana que derrubou Nicolás Maduro transformou de maneira significativa o panorama do país e as expectativas econômicas.

Até 2 de janeiro, o ambiente entre os dois países era de intensa rivalidade: sanções severas sobre a indústria do petróleo, apreensão de navios petroleiros e forte efeito dissuasor para demais embarcações.

A Venezuela vendia petróleo com descontos de até 50%, com baixa produção e exportação. O país aumentou o uso de criptomoedas para obter divisas, dado o bloqueio de investimentos estrangeiros, enquanto a inflação dispara, corroendo salários demasiado baixos.

“A aproximação entre Washington e Caracas pode resultar em uma flexibilização das sanções, na retomada das exportações de petróleo e nos fluxos financeiros”, declarou Alejandro Grisanti, diretor da consultoria Ecoanalítica.

A estatal Petróleos da Venezuela negocia com os EUA a venda de petróleo, adotando modelos semelhantes aos acordos com multinacionais como a Chevron. O presidente Donald Trump assinou uma ordem para garantir as receitas petrolíferas e mencionou que elas serão usadas para fornecer bens e reparar a infraestrutura elétrica venezuelana.

“O ano de 2026 iniciou-se com uma mudança abrupta na política venezuelana, com impacto direto na economia”, comentou o economista Asdrúbal Oliveros. “Nunca antes a política e a economia estiveram tão ligadas como agora.”

Fluxo de caixa estável

Analistas afirmam que, se a presidente interina Delcy Rodríguez mostrar sinais de abertura, conseguirá formar consensos internos que atraiam investimentos.

“Urgentemente, o país necessita de um fluxo de caixa crescente e constante, e o petróleo pode garantir isso imediatamente”, disse o economista Carlos Torrealba Rangel.

As projeções indicam crescimento, já que o setor petrolífero responde por 87% da entrada de divisas.

Oliveros prevê uma expansão de 30%, o dobro dos últimos dois anos.

“Haverá aumento na receita do petróleo com maior produção, os descontos diminuirão significativamente e isso contribuirá para maior fluxo financeiro, beneficiando o mercado de câmbio, atualmente quase sem moeda estrangeira”, acrescentou.

A atividade econômica permanece debilitada após os bombardeios americanos em 3 de janeiro para capturar Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

“Lentamente, a economia está se recuperando. As pessoas retomaram as compras, o pagamento em dólares está normalizando, pois antes havia especulação sobre a taxa de câmbio. A prioridade está na venda de alimentos”, afirmou Carmen Álvarez, representante do comércio informal em Caracas.

A incerteza e a desconfiança na política cambial elevaram os preços na semana, após a cotação do dólar no mercado paralelo subir mais de 50%, chegando a cerca de 800 bolívares.

Oliveros explicou que o governo enfrentava escassez de moedas e quase não tinha receitas em dólares, incluindo as receitas em criptomoedas, que foram suspensas.

No fim de semana, o dólar não oficial começou a recuar para 530 bolívares, provavelmente estimulado pelas expectativas positivas do acordo petrolífero, segundo especialistas.

Transição delicada

Especialistas alertam para a fragilidade da economia venezuelana.

“A Venezuela está próxima de sofrer hiperinflação. A única saída para evitar essa crise é uma transição política constitucional e pacífica que permita reorganizar a economia”, destacou o economista José Guerra.

Eles apontam que o curto prazo será marcado pela incerteza, demandando atenção aos indicadores econômicos como câmbio e inflação.

O professor José Manuel Puente, da Universidade de Oxford, concorda que a flexibilização das sanções melhorará o ambiente e atrairá investimentos dos Estados Unidos e de outros países.

Porém, ele ressalta que o desafio é grande, pois a indústria petrolífera necessita de cerca de 100 bilhões de dólares anuais para se reativar, e tudo dependerá do andamento das negociações.

“No final, tudo acontece num cenário em que o país está sob forte influência dos Estados Unidos”, concluiu.

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