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Economia

Queda firme nas taxas de juros à espera do Copom

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Os juros futuros negociados na B3 apresentaram uma queda consistente nesta quarta-feira (28), influenciados pelas decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e, mais tarde, do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Embora a expectativa seja que a taxa Selic se mantenha em 15%, houve movimentação na curva a termo.

Apesar da manutenção da meta do Fed Funds entre 3,50% e 3,75%, que impactou pouco a curva local, o dólar perdeu força, acumulando desvalorização de quase 5% diante do real em janeiro. Isso tem reduzido as expectativas inflacionárias, aumentando a chance, segundo o mercado, de um corte mais acentuado da Selic na próxima reunião do Copom, assim como a possibilidade de uma surpresa hoje.

De acordo com Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, no período da tarde, a curva precificava 32% de chance de redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, ante 24% na terça-feira.

A curva a termo nas faixas curtas e intermediárias renovou mínimas durante a sessão, acompanhando o otimismo dos investidores com a trajetória do câmbio, que pode facilitar a missão do Banco Central no controle da inflação.

Ao fim dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,576% para 13,515%. Já o DI para janeiro de 2029 teve queda de 12,862% para 12,78%, e o DI para janeiro de 2031 baixou de 13,148% para 13,085%.

Um economista de uma grande Tesouraria comentou que, apesar do movimento recente sugerir risco de corte da Selic hoje, não houve novidades para justificar queda adicional das taxas DI. A possibilidade de uma surpresa com corte nesta noite existe, mas é considerada improvável por riscos de comunicação equivocada.

A curva de juros futuros também passou a incluir probabilidade maior de corte de 0,50 ponto percentual na Selic em março, agora de 53% contra 24% na terça-feira, enquanto a chance de corte mais moderado de 0,25 ponto percentual caiu de 76% para 47%, segundo Rostagno.

O enfraquecimento do dólar no mercado internacional e no Brasil tem favorecido apostas de que o Banco Central pode surpreender hoje ou, ao menos, abrir caminho para início do afrouxamento monetário em março. Com dólar mais fraco, a perspectiva é de inflação menor, preparando terreno para cortes nos juros.

Rostagno vê pouco provável ajuste para baixo já nesta quarta, mas aguarda sinais claros do Copom que preparem o caminho para redução dos juros. A retirada do termo “bastante prolongado” do comunicado, que indica manutenção prolongada da taxa em patamar elevado, pode ser uma dessas indicações.

Nos EUA, o Comitê de Mercado Aberto (Fomc) manteve a meta dos Fed Funds sem alterações, apesar de dois votos dissidentes a favor de corte de 0,25 ponto percentual. Em coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, reafirmou que a economia americana mantém ritmo sólido, com inflação ainda relativamente alta e mercado de trabalho estabilizado.

O comunicado do Fed foi considerado duro por Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, que destacou a estabilização do desemprego e preocupação com a inflação, mantendo distância da expectativa de cortes imediatos nas próximas reuniões.

Por fim, o Tesouro Nacional divulgou nesta quarta-feira o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 e dados de dezembro da Dívida Pública Federal (DPF). A dívida aumentou 1,82% entre novembro e dezembro, atingindo R$ 8,635 trilhões. O PAF projeta necessidade de financiamento para 2026 de R$ 1,678 trilhão, o que corresponde a emissão semanal média de R$ 33 bilhões para rolar os vencimentos, segundo Ítalo Franca, especialista em política fiscal do Santander.

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