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Queda no número de alunos em tempo integral no Sudeste

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Nas redes estaduais da região Sudeste, considerada a mais próspera do país, o número de estudantes matriculados em ensino médio integral diminuiu em 2025 comparado a 2022, o ano anterior à atual gestão dos governadores. Essa redução deve-se principalmente à queda nas matrículas com jornada mínima de sete horas diárias em Minas Gerais e Rio de Janeiro. São Paulo registrou um leve aumento, que não compensou totalmente a redução. Enquanto isso, as outras regiões do Brasil foram além e ampliaram a oferta dessa modalidade.

O ensino médio integral é uma política considerada essencial para melhorar o aprendizado dos alunos brasileiros, oferecendo sete horas diárias de aula, duas a mais que o ensino parcial, padrão adotado por países com alto índice educacional.

Segundo Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, dedicado à promoção do ensino integral, o avanço nessa área depende do comprometimento político e da percepção dos gestores quanto à importância dessa política para o desenvolvimento dos estados.

Em 2022, apenas 19% dos alunos das redes estaduais estavam matriculados em tempo integral, subindo para 26% em 2025. No Nordeste, essa proporção aumentou significativamente, de 29% para 44%, enquanto no Sudeste o crescimento foi modesto, de 21% para 22%, resultado influenciado pela redução do total de alunos na região.

Desempenho do Sul

O Sul lidera os baixos números de matrículas em tempo integral, saindo de 5% para 11%. Esse avanço ocorre principalmente graças ao Rio Grande do Sul, que expandiu vagas e elevou sua taxa de 3% para 21% em três anos. Em contraste, Santa Catarina diminuiu suas matrículas desse tipo para apenas 4%, a menor taxa entre os estados com jornada ampliada.

No Nordeste, estados como Piauí, Pernambuco, Ceará e Paraíba possuem mais da metade dos estudantes no ensino integral. A Bahia também registrou crescimento significativo, aumentando de 8% para 34% dos alunos nesse modelo graças à criação de vagas adicionais.

Os benefícios do ensino integral vão além dos índices educacionais, incluindo redução das desigualdades sociais, aumento do acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho, além da diminuição das taxas de violência entre jovens, conforme aponta Maria Slemenson.

Referência em Pernambuco

Pernambuco é pioneiro nesse modelo desde 2004, tendo apresentado avanços notáveis em aprendizagem, especialmente no ensino médio, superando a média nacional. Segundo o relatório “Educação que dá certo — O caso de Pernambuco”, o estado melhorou consistentemente em língua portuguesa e matemática entre 2007 e 2019.

Apesar de uma aparente queda de matrículas em 2025, a rede estadual de Pernambuco esclareceu estar corrigindo esses dados junto ao Ministério da Educação, atualizando os números para um aumento real, com 74% das matrículas em tempo integral em 2026.

Outros ajustes e desafios

O Rio de Janeiro ampliou a oferta para 85 mil vagas em tempo integral, mas enfrenta baixa procura, com cerca de 20 mil vagas ociosas. Em Minas Gerais, o ensino integral inclui formação técnica em parcerias privadas, expandindo o total de alunos com jornada ampliada para 21%.

Santa Catarina considera também os estudantes matriculados em cursos técnicos no contraturno, e São Paulo relata crescimento no número de alunos em tempo integral, alcançando 35% da rede estadual de ensino médio.

A Secretaria de Educação do Rio de Janeiro destaca que, apesar da oferta ampliada, a procura pelo ensino em tempo integral caiu, situação similar em outras redes estaduais. Entre as causas estão a necessidade que muitos estudantes têm de contribuir financeiramente com suas famílias ou cuidar de familiares.

Para combater esse desafio, a secretaria intensifica a conscientização sobre os benefícios do ensino integral, que traz melhores resultados no Ideb e prepara melhor os alunos para o ensino superior e mercado de trabalho.

O ensino em tempo integral permanece uma prioridade para o fortalecimento da educação pública, e novas diretrizes para sua expansão devem ser definidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) nos próximos anos.

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