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Reação cautelosa de aliados comerciais dos EUA à decisão judicial contra tarifas de Trump
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu na última sexta-feira (20) que Donald Trump ultrapassou seus limites ao impor uma série de tarifas alfandegárias que impactaram o comércio global.
A sentença, que provocou uma resposta firme do presidente americano, diz respeito às tarifas classificadas como “recíprocas” por ele, mas não abrange as aplicadas a setores específicos da economia.
Embora essas tarifas tenham sido anuladas, as que incidem sobre setores determinados da economia permanecem válidas.
A seguir, destacam-se as primeiras reações internacionais, divulgadas antes do presidente dos Estados Unidos anunciar uma resposta com uma tarifa geral de 10%.
União Europeia
“Estamos avaliando cuidadosamente essa decisão”, afirmou à AFP Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.
Ele acrescentou que espera “esclarecimentos” por parte do governo americano sobre quais medidas serão tomadas em resposta a essa decisão.
Além disso, parlamentares da União Europeia planejam uma reunião emergencial na segunda-feira para revisar o acordo comercial firmado no ano passado com os Estados Unidos, que limita a 15% as tarifas americanas sobre a maioria dos produtos europeus.
A comissão de comércio do Parlamento Europeu deve votar na próxima terça-feira para prosseguir com o processo de ratificação desse acordo, que encontrava-se suspenso após a ameaça de Trump em anexar a Groenlândia.
França
“A decisão do Supremo Tribunal Federal mostra que essas tarifas foram, no mínimo, tema de debate”, comentou o ministro da Economia francês, Roland Lescure.
“Também percebemos que o déficit comercial dos EUA continuou alto no ano passado, indicando que as tarifas talvez não tragam a solução esperada. Agora aguardamos para ver os desdobramentos”, complementou.
Sobre a possibilidade de reembolso das tarifas cobradas, o ministro destacou que cabe ao governo e aos tribunais americanos decidir o procedimento, lembrando que Washington acumulou cerca de 185 bilhões de dólares em tarifas no último ano. “É uma quantia significativa”.
Reino Unido
“Vamos colaborar com a administração dos Estados Unidos para compreender como essa decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o mundo”, disse um porta-voz do governo britânico.
“O Reino Unido se beneficia das tarifas recíprocas mais baixas globalmente e esperamos que nossa posição comercial privilegiada com os EUA seja mantida, independentemente do cenário”, acrescentou.
Um acordo com Washington permite que Londres tenha tarifas alfandegárias limitadas a 10% na maioria dos produtos britânicos.
Canadá
A decisão da Suprema Corte “reafirma a posição do Canadá de que essas tarifas são injustas”, declarou Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pelas relações comerciais com os Estados Unidos, em mensagem na rede X.
Ele ressaltou que Ottawa mantém diálogo com Washington, já que empresas canadenses são afetadas pelas tarifas setoriais que impactam a economia.
As tarifas “recíprocas” quase não afetam o Canadá devido ao T-MEC, tratado de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá, o qual o governo Trump planeja revisar completamente em breve.
México
O governo mexicano avaliará os possíveis efeitos da nova tarifa geral de 10% anunciada na sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou o secretário de Economia, Marcelo Ebrard.
“Vamos esperar para ver quais medidas ele adotará para determinar como isso afetará nosso país”, afirmou Ebrard.
O anúncio do presidente americano ocorre após a decisão da Suprema Corte que considerou que Trump ultrapassou sua autoridade ao impor tarifas alfandegárias sob o pretexto de emergência nacional.

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