Economia
Recorde no Mercado Imobiliário do Recife e RMR em 2025
O setor imobiliário da Região Metropolitana do Recife (RMR) encerrou o ano de 2025 registrando o melhor desempenho dos últimos tempos. Pesquisa realizada pela Brain Inteligência Estratégica, solicitada pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) e apresentada na terça-feira (24), durante o evento Conexão Ademi-PE, mostra que o mercado atingiu a marca inédita de R$ 10,1 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), um aumento de 53% em comparação a 2024.
Nos últimos 12 meses, foram comercializadas 12.061 unidades. O valor vendido, que atingiu R$ 10 bilhões, foi quase o dobro do volume lançado no mesmo período, o qual somou R$ 5,8 bilhões.
Programa Minha Casa, Minha Vida
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi o principal motor desse crescimento. Atualmente, 65,4% dos imóveis lançados no Recife e na RMR pertencem a essa categoria. Na capital, a quantidade de unidades vinculadas ao programa cresceu 79% em relação ao ano anterior, totalizando 3.597 imóveis. No último trimestre de 2025, o MCMV representou 83% das unidades lançadas.
Rafael Tenório Simões, presidente da Ademi-PE, afirmou que esses números refletem um excelente momento para o setor em Pernambuco. Ele destacou que essa pesquisa, muito aguardada, espelha a tendência nacional de crescimento das vendas e lançamentos imobiliários.
“Estamos tratando de R$ 10 bilhões em imóveis comercializados e 12 mil unidades lançadas, com o Minha Casa Minha Vida correspondendo a dois terços desse total”, afirmou Simões.
Ele também enfatizou a expansão do programa na capital, mencionando que bairros como Imbiribeira, Ipsep e San Martin começaram a competir com áreas tradicionais como Boa Viagem, demonstrando a vigorosa atividade do mercado e a relevância do segmento popular para o desenvolvimento econômico do estado, gerando empregos e arrecadação.
Importância do apoio público
Paulo Lira, diretor-presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), também esteve presente no evento, ressaltando o impacto positivo dos subsídios estaduais na expansão do mercado imobiliário.
Segundo Lira, Pernambuco atingiu recentemente a marca de 20 mil unidades beneficiadas pelo programa Morar Bem Pernambuco em pouco mais de dois anos de funcionamento.
“Participamos de eventos assim para acompanhar esse progresso, e celebramos a concessão de 20 mil subsídios habitacionais. Esses números comprovam que o incentivo está funcionando e é essencial para ampliar o mercado”, disse.
No Recife, já foram registradas 4.700 unidades contempladas com subsídios estaduais. Pernambuco foi pioneiro na região Norte-Nordeste ao implementar um programa de subsídio habitacional próprio vinculado ao Minha Casa, Minha Vida.
“Nosso programa serviu de modelo para outros estados do Nordeste que criaram iniciativas semelhantes, impactando positivamente a região”, completou Lira.
Felipe Matos, secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento do Recife, destacou o papel do mercado imobiliário na economia local, gerando emprego, renda e aumentando a arrecadação de impostos. Segundo ele, o setor é monitorado constantemente pelos órgãos públicos para garantir seu bom andamento.
Sobre o crescimento do Minha Casa, Minha Vida na capital, Matos explicou que, nos anos anteriores, o Recife estava praticamente ausente do programa. Modificações recentes na legislação urbanística, incluindo o novo Plano Diretor e a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, estimularam o interesse das construtoras.
“A demanda sempre existiu, pois muitas pessoas trabalham e desejam morar na cidade, mas não conseguíamos incentivar a oferta. Agora, conseguimos ajustar essa questão”, declarou.
Matos informou que a administração continuará acompanhando o mercado e promoverá alterações legislativas, se necessário, para assegurar o crescimento sustentável da cidade.
Valorização e perspectivas
Enquanto as vendas são impulsionadas pelo segmento popular, o mercado de luxo e as regiões litorâneas apresentam forte valorização. Em 2025, foram lançadas 2.887 unidades no litoral, com 80% delas sendo studios ou apartamentos de um dormitório. O preço médio por unidade foi de R$ 430 mil, e o valor médio do metro quadrado atingiu R$ 14,5 mil.
A velocidade das vendas superou o ritmo dos lançamentos. O estoque atual no Recife e na RMR é avaliado em R$ 4,9 bilhões, considerado baixo frente aos R$ 10 bilhões vendidos no ano, com um prazo de esgotamento estimado em seis meses.
De acordo com o CEO da Brain Inteligência Estratégica, Fábio Tadeu Araújo, o estoque é jovem, já que 87,7% das unidades foram lançadas entre 2023 e 2025. Para ele, isso indica a necessidade de novos lançamentos em 2026 para suprir a contínua demanda aquecida.
Troféu Ademi-PE
No mesmo evento, foram abertas as inscrições para o Troféu Ademi-PE, a maior homenagem ao setor imobiliário pernambucano. As empresas interessadas podem inscrever seus projetos até 10 de abril. A avaliação ocorrerá entre os dias 15 e 17 de abril, e a cerimônia para entrega dos prêmios acontecerá no dia 29 do mesmo mês, no Arcádia Apipucos.

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