Brasil
Recorrer à Justiça contra equiparação salarial é discriminação contra mulheres, diz Simone Tebet

Segundo a ministra, se as empresas viram problemas relacionados à regulamentação da lei de equiparação salarial, poderiam ter procurado a pasta, que estaria “aberta ao diálogo”
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, criticou as empresas que têm buscado o Judiciário para evitar a divulgação de dados relativos aos salários de homens e mulheres, exigência incluída na regulamentação da lei que obriga a equiparação salarial entre os gêneros.
Falando ao GLOBO antes de entidades empresariais recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade da equiparação, a ministra disse que o movimento é um “sinal de discriminação”.
Segundo a ministra, se as empresas viram problemas relacionados à regulamentação da lei de equiparação salarial, a cargo do Ministério do Trabalho e Emprego, poderiam ter procurado a pasta, que estaria “aberta ao diálogo”.
A ministra também criticou alguns dos argumentos usados pelas empresas para recorrer ao Judiciário. Em algumas ações judiciais, alegou-se que as informações sobre salários exigidas na regulamentação da lei seriam estratégicas.
“Nós (o governo) não queremos dados, queremos apenas algo que é informação nossa, que poderíamos cruzar de outro jeito e eles (as empresas) vêm com (o argumento de) que os concorrentes poderiam ter acesso a essa informação. Acesso à informação de quantas mulheres eles empregam, onde elas estão e qual o salário delas? Não tem lógica isso”, disse Simone.
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“Estamos mexendo em um vespeiro. O grande motor dessa desigualdade (entre homens e mulheres) está na diferença salarial, porque o próprio Censo mostra que, quando se refere à escolaridade, inclusive no ensino universitário, nós somos maioria. O problema não está mais na sala de aula, está no mercado de trabalho”, disse Simone.
Salário deve ser igual, independentemente de outras políticas

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