Brasil
Remédios ajudam no combate à obesidade, mas têm preços altos
O Brasil, enfrentando uma crescente epidemia de obesidade, aguarda com expectativa o término da patente da semaglutida transcutânea (Ozempic/Wegovy) neste mês, o que pode resultar em medicamentos mais acessíveis.
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, destaca que o uso desses remédios é apenas uma parte das estratégias públicas necessárias para combater a obesidade.
O Ministério da Saúde foca em três frentes: prevenção por meio da estratégia “Viva Mais Brasil”; desenvolvimento nacional e domínio tecnológico dos medicamentos; e a integração da semaglutida no SUS.
Alexandre Padilha informa que há estudos para implementar programas com semaglutida no SUS para grupos específicos, como pacientes com obesidade avançada e comorbidades, especialmente aqueles na fila para cirurgia bariátrica. O Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, está elaborando protocolo para esse acesso.
Atualmente, nenhum medicamento para controle de peso está disponível no SUS, mas o governo federal também estimula a produção nacional da nova classe de remédios por meio de edital da Anvisa, priorizando o registro da liraglutida e da semaglutida, que tratam peso e diabetes.
Alexandre Padilha esclarece que o ministério busca que o Brasil domine a tecnologia de produção dos peptídeos usados nesses medicamentos, visando ampliar a concorrência e reduzir os altos preços, um desafio mundial devido ao crescimento do excesso de peso na população adulta, de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024, segundo o Vigitel.
A obesidade também aumentou de 11,8% para 25,7% no mesmo período, atribuída principalmente ao consumo de ultraprocessados.
Alexandre Padilha enfatiza que a obesidade é um grave problema de saúde pública, associado a doenças como câncer e cardiovasculares, e que é necessária uma abordagem integrada além do acesso a medicamentos.
A estratégia “Viva Mais Brasil”, lançada em janeiro com investimento de R$ 340 milhões, foca em promover alimentação saudável e atividade física pela atenção primária, incluindo medidas como taxação de bebidas açucaradas, redução de impostos da cesta básica saudável e proibição de ultraprocessados na alimentação escolar, com exemplos positivos em diversos municípios.
O ministério também destiná recursos para academias da saúde vinculadas à atenção primária, valorizando experiências consolidadas como a do Rio de Janeiro, que tem reduzido a necessidade de medicamentos para diabetes.

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