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Resistência a Carlos e Jair Renan desafia Bolsonaro em Santa Catarina
O gabinete A05 da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú é ocupado por dois jovens assessores parlamentares com menos de 30 anos e exibe a placa “Vereador Jair Bolsonaro – PL”. A porta está coberta por adesivos com o rosto do ex-presidente e referências a Donald Trump e Olavo de Carvalho.
Na última terça-feira, no plenário, o dono do gabinete agradeceu os demais vereadores por finalmente colocar em pauta, após 15 meses, seu primeiro projeto de lei, que estabelece “espaços de acolhimento para pessoas neurodivergentes” no litoral norte de Santa Catarina.
— Não só nas escolas públicas, mas também pode ser adaptado no setor privado e sem nenhum custo adicional. Se quiserem, ganhará o selo de “cantinho do acolhimento” — explicou o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL), de 27 anos, em um breve discurso sobre o projeto.
Filho conhecido como “04” de Bolsonaro, Jair Renan adotou bordões e até o nome do pai para administrar os desafios e oportunidades do bolsonarismo em solo catarinense. Antes de se eleger vereador em Balneário Camboriú em 2024, ele viveu entre Rio e Brasília, e agora pretende concorrer a deputado federal.
Essa estratégia é semelhante à de seu irmão “02”, o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, que disputa uma vaga ao Senado. Ambos enfrentam resistências locais por não possuírem raízes catarinenses, em uma disputa que avalia a influência de Bolsonaro no estado que lhe concedeu 70% dos votos em 2022.
Carlos e Jair Renan adotam táticas distintas para conquistar o apoio necessário para suas candidaturas. O ex-vereador carioca aposta na aliança com a deputada Carol de Toni (PL-SC), que também é pré-candidata ao Senado, para evitar a dispersão dos votos do PL entre rivais.
Um ponto de atenção é o senador Esperidião Amin (PP-SC), um veterano local que apoia Bolsonaro, mas tem um discurso mais focado em temas estaduais, como rodovias e construção civil. Isso contrasta com o desconhecimento de Carlos sobre as particularidades do estado.
— Já tivemos muitos senadores com raízes aqui, e de repente surge uma candidatura que atende um interesse pessoal e não político do estado. Não sou contra ele, mas contra o sistema que se cria — declara o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), ex-senador.
Imagem de Jair Renan em transformação
Jair Renan busca suavizar sua imagem ao se aproximar da filha do prefeito Leonel Pavan, a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD). O diretório municipal do PL, com Jair Renan como vice-presidente, tem articulado uma aliança com o grupo da prefeita. Antes apelidado de “Tiririca de Balneário Camboriú”, ele agora elogia a gestão de Juliana Pavan e admitiu ter “dado uma acalmada” em entrevista a uma rádio local.
Interlocutores da família Bolsonaro acreditam que essa postura mais moderada de Jair Renan pode beneficiar Carlos. Até então, seus raros discursos na Câmara, com promessas de “incomodar o sistema de Balneário Camboriú” e elogios à ditadura de 1964, geraram impressões negativas no estado, afetando o irmão.
Jair Renan cometeu gafes em debates, como interpretar erradamente um ditado catarinense que envolve a palavra “prisoneiro” como referência à prisão do pai. Em outra ocasião, prometeu “representar muito bem o povo catarinense” pela sua ascendência italiana.
Concorrência e estratégias
Procurado para entrevistas, Jair Renan não respondeu e, recentemente, viajou aos EUA para visitar o irmão Eduardo Bolsonaro.
O vereador Eduardo Zanatta (PT), crítico de Jair Renan, afirma que ele usa o peso do sobrenome para substituir o trabalho político.
Carlos, por sua vez, se estabeleceu em São José, próxima a Florianópolis, para justificar sua migração ao estado. No entanto, sua agenda local permanece focada em encontros com Carol de Toni, que tem base no Oeste Catarinense, região distante da capital.
Carlos também busca fortalecer relações com o governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), este último criticou inicialmente a vinda de Carlos ao estado, mas depois mudou seu discurso, defendendo o fortalecimento da direita.
Aliados e desafios
Outro aliado próximo do ex-presidente, o deputado federal Helio Lopes (PL), mudou seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima, mirando uma candidatura ao Senado.
Helio Lopes se elegeu pela primeira vez em 2018 no Rio, usando também o sobrenome Bolsonaro.
Resistências e críticas
A candidatura de Carlos Bolsonaro gerou tensões no PL estadual, quase tirando a deputada federal Caroline de Toni da chapa. Após ameaças de saída do partido, os bolsonaristas optaram por retirar o senador Esperidião Amin da disputa pela segunda vaga.
O prefeito de Camboriú, Leonel Pavan, classificou a pré-candidatura de Carlos como “uma loucura” e criticou a forma como o PL lida com Santa Catarina como um “balcão de negócios”. Ele também enfrenta críticas de prefeitos e da deputada estadual Ana Campagnolo (PL).
O presidente da Câmara de Vereadores, Marcos Kurtz, chamou Jair Renan de “Tiririca de Balneário Camboriú” após uma discussão no plenário, enquanto a prefeita Juliana Pavan afirmou que ele precisa “ler mais”. Atualmente, o grupo está buscando uma aproximação com o vereador.

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