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Roberto Freire: esquerda brasileira precisa se atualizar para avançar

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Roberto Freire voltou ao comando do Cidadania e voltou a debater a política brasileira, ressaltando que a esquerda precisa se modernizar para acompanhar as mudanças do mundo. Em entrevista ao podcast “Direto de Brasília”, ele avaliou as dificuldades das instituições em se adaptar, criticou a postura dos Estados Unidos na Venezuela e apoiou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), como potencial candidato à Presidência nas próximas eleições.

Roberto Freire retomou a liderança do partido após dois anos e, apesar de estar afastado de mandatos, manteve-se ativo nas redes sociais e nas discussões políticas, refletindo constantemente sobre os rumos do país.

Desde seu último mandato em 2018, o país e o mundo passaram por transformações profundas. O modelo industrial cedeu lugar a uma nova realidade marcada pelo mundo virtual e pelo mercado de trabalho digital, mudando as relações sociais e econômicas. Porém, as instituições enfrentam uma adaptação lenta e complicada a essas mudanças disruptivas.

Sobre o retorno de Donald Trump à cena política dos Estados Unidos, Freire afirmou que se trata de um retrocesso, causado pelo medo do futuro e pelo apego a valores conservadores e nacionalistas, que geram reações de resistência às transformações.

Em relação à Venezuela, o ex-senador criticou a ação americana de prender o ditador Nicolás Maduro sem promover uma mudança democrática real no país. Conforme explicou, a vice-presidência assumiu o governo, e o regime chavista permanece intacto, destacando que o governo de Trump buscou impor a hegemonia dos EUA na América, independentemente do caráter democrático dos regimes aliados.

Freire ainda enfatizou que sua posição não apoia a ditadura venezuelana, apesar de discordar da forma como foi conduzida a intervenção americana. Ele apontou que nomes da política brasileira ligados a Bolsonaro elogiaram essa ação, mas ressaltou a importância de uma mudança legítima e de respeito às instituições internacionais.

Quanto ao cenário eleitoral brasileiro, destacou o governador Eduardo Leite como um estadista que rejeita a ditadura chavista e pode representar uma alternativa viável. Embora a decisão sobre o candidato do Cidadania dependa do congresso do partido, Freire planeja apoiar a candidatura de Leite como melhor caminho para superar a polarização política atual, rejeitando tanto bolsonaristas quanto lulistas.

Sobre a tese da “terceira via”, o ex-senador é cauteloso e questiona essa classificação, defendendo uma análise qualitativa do eleitorado que identifica um grande centro político e várias minorias alinhadas à direita e à esquerda. Ele destaca que o partido Cidadania não se alinha integralmente a nenhum dos campos tradicionais e que é necessário construir um projeto nacional inclusivo e atualizado.

Roberto Freire também reflete sobre o significado atual das divisões entre esquerda e direita, considerando que esses termos são referências e não substâncias. Na sua visão, a esquerda brasileira tem resistido às reformas necessárias, como as administrativas, da Previdência e da educação, mantendo uma postura de oposição que dificulta o progresso do país.

Ele observou que, embora o Cidadania tivesse lançado Ciro Gomes para presidente em eleições passadas, e o tenha apoiado em algumas ocasiões, o retorno de Ciro ao PSDB cria novos cenários para alianças políticas regionais.

Freire reafirma seu compromisso com os valores da esquerda, mas defende a necessidade de atualização das ideias e compreensão das transformações sociais e econômicas. Ele critica a esquerda tradicional que ainda insiste em conceitos ultrapassados, como a centralidade da burguesia e da classe proletária, sem adaptar seus programas à nova realidade.

Para Roberto Freire, o futuro da esquerda depende da capacidade de entender o mundo atual e agir com base em análises concretas da realidade, ao invés de se apegar a dogmas do passado. Ele destaca que não se arrepende de sua trajetória, mas que é essencial evoluir para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Sobre o presidente Lula, Freire considera que sua vitória em 2022 foi por rejeição ao adversário e que, apesar de sua força, não é um candidato invencível. Ele comenta que a polarização entre Lula e Bolsonaro cansa a sociedade e que o próximo pleito pode ter conflitos diferentes, com novos atores políticos e menos extremismos.

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