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Roger Abdelmassih sai da prisão de Tremembé e é transferido

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O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado por abusos sexuais contra inúmeras pacientes, não está mais detido na Penitenciária de Tremembé, conhecida como o “Presídio dos Famosos”, localizada no interior de São Paulo. Atualmente, ele cumpre sua pena na Penitenciária 2, em Potim, também situada na mesma região do Vale do Paraíba, mas esta é uma unidade prisional comum.

A defesa de Roger Abdelmassih busca junto à Justiça que ele possa cumprir a pena em regime domiciliar, alegando sua idade avançada de 82 anos e seu estado de saúde fragilizado, que coloca sua vida em risco dentro do sistema prisional. Tentamos contato com a advogada do caso e esposa do ex-médico, Larissa Maria Sacco Abdelmassih, mas ainda aguardamos resposta.

A transferência foi formalmente comunicada pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) à Justiça no dia 2 deste mês, conforme informações do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Desde 2002, a penitenciária de Tremembé vinha abrigando presos considerados “especiais”, ou seja, indivíduos condenados por crimes graves ou de grande repercussão, que normalmente enfrentam rejeição dentro das unidades prisionais comuns. Recentemente, a vida desses detentos foi retratada em uma série do Prime Vídeo, mostrando a rotina na penitenciária.

O governo do estado decidiu transformar o que era conhecido como o “presídio dos famosos” em uma penitenciária convencional. Desde novembro, ocorre a redistribuição dos presos para outras unidades, sendo que a maior parte está sendo transferida para a Penitenciária 2, em Potim, que possui capacidade para 844 detentos, mas atualmente abriga apenas 321, conforme dados da SAP.

Risco de saúde do condenado

O pedido para que Roger Abdelmassih cumpra prisão domiciliar foi apresentado pela sua advogada e esposa, Larissa Maria Sacco Abdelmassih, no final do ano anterior junto ao Tribunal de Justiça. Segundo a defesa, o ex-médico sofre de sérios problemas cardíacos, incluindo cardiopatia isquêmica severa, hipertensão e insuficiência cardíaca, com risco de morte súbita, além de estar em tratamento contra um câncer de próstata.

No dia 21 deste mês, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani solicitou uma perícia médica para avaliar as condições de saúde do réu, com o objetivo de fundamentar melhor o pedido de prisão domiciliar. O exame médico ainda não tem data definida para ser realizado.

Condenação e histórico judicial

Roger Abdelmassih foi inicialmente sentenciado a 278 anos de prisão por crimes de estupro e atentado violento ao pudor contra mais de 70 mulheres. Posteriormente, a pena foi reduzida para 181 anos.

Ele está detido desde 2014, quando foi capturado no Paraguai após passar três anos foragido.

Em 2023, sua defesa já havia solicitado prisão domiciliar humanitária, mas o pedido foi rejeitado pela Justiça, que afirmou que o réu vinha recebendo todos os cuidados médicos necessários dentro da penitenciária.

Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia concedido prisão domiciliar para Roger Abdelmassih, porém o benefício foi revogado em 2019 por suspeitas de informações inconsistentes sobre seu estado de saúde.

Em maio de 2021, a Justiça permitiu novamente a prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, mas essa decisão foi anulada em julho do mesmo ano pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

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