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Sem nome, nem sobrenome
por Tábita Marinho*
Faz teu nome! A frase, comum nas redes sociais e em conversas do dia a dia, é usada como incentivo, de chefes para subordinados, entre colegas de trabalho ou entre amigos: “faz teu nome – impressione os clientes”, “faz teu nome – arrase na prova”. Para os mais empolgados, o estímulo também pode ter complemento: “Vai lá, faz teu nome e sobrenome.”
Isso foi tudo que o novo governador de Goiás, Daniel Vilela, não fez em sua cerimônia de posse, ocorrida nesta terça-feira (31/03), na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego).
Na presença de autoridades dos Três Poderes do Estado, no Plenário do Legislativo, cuja sede leva o nome de Maguito Vilela, expoente da política goiana e pai de Daniel, o novo governador disse: “meu legado não é um sobrenome, e sim uma responsabilidade”. Para os ouvidos mais atentos, a frase soou como uma tentativa de não se apoiar na herança política do pai, e demonstrar vida própria.
Porém, Daniel Vilela se apoiou na herança política de Ronaldo Caiado. Todo seu discurso foi baseado no que Caiado fez, e no que Caiado pode fazer pelo Brasil, caso seja eleito presidente. Daniel, que foi vice-governador de Caiado, em momento algum de sua fala solene tomou para si o que foi realizado na gestão para a qual também foi eleito em 2022.
Daniel, um político relativamente jovem, em momento algum de seu discurso apresentou ideias inovadoras para sua gestão, que possam o alavancar ao cargo de governador em trajetória própria, em possível reeleição. Daniel ateve-se a promover Caiado, e comportou-se como um pupilo, mas não um pupilo brilhante, e sim um pupilo apático, obediente, condescendente.
Em sua hora de brilhar, Daniel ficou apagado. Daniel não imprimiu uma marca, e não mostrou a que veio.
Daniel não fez nome, nem sobrenome.
*Tábita Marinho – Jornalista e diretora do Gyn Notícias


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