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Separatistas do Iêmen anunciam transição para criar Estado independente
Os separatistas do sul do Iêmen, com apoio dos Emirados Árabes Unidos, anunciaram nesta sexta-feira (2) o começo de uma fase de transição de dois anos visando à criação de um Estado independente na região sul do país. Essa notícia chega em meio a ataques aéreos letais conduzidos pela coalizão saudita que tenta expulsá-los da área.
O avanço recente dos separatistas representa uma mudança significativa no conflito complexo que envolve o governo reconhecido internacionalmente e os rebeldes huthis, que contam com o respaldo do Irã.
Desde 2014, os huthis controlam a capital Sanaa e várias áreas do norte do Iêmen, de onde realizam ataques contra Israel e contra navios no Mar Vermelho.
Embora a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos sejam aliados tradicionais e vizinhos, as diferenças entre eles se tornam claras, já que apoiam distintas facções dentro do governo iemenita e adversários no campo dos separatistas e huthis.
As tensões aumentaram esta semana quando Riade bombardeou um carregamento de armas que supostamente veio dos Emirados e que estava em um porto controlado pelos separatistas do Conselho de Transição do Sul (CTS).
Os Emirados, acusados de alimentar o conflito, declararam a retirada de suas tropas do Iêmen, mas as confrontações permanecem.
O presidente do CTS, Aidarous al Zubaidi, declarou na televisão que, pela vontade do povo do sul, “iniciamos uma etapa transitória de dois anos” para restaurar e proclamar seu Estado, incluindo a realização de um referendo de autodeterminação dentro desse período.
Historicamente, entre 1967 e 1990, o sul do Iêmen foi uma república democrática e popular independente.
O anúncio aconteceu durante ataques da coalizão liderada pela Arábia Saudita, que segundo fontes militares do CTS, deixou 20 separatistas mortos, número confirmado por fontes médicas, revisando para cima dados preliminares que indicavam sete mortes.
As forças pró-sauditas haviam anunciado uma operação para recuperar pacificamente as regiões sob controle dos separatistas.
Fontes sauditas confirmaram que os bombardeios foram feitos pela coalizão criada em 2015 para enfrentar os huthis no norte do país.
“Eles não vão parar até que o Conselho de Transição do Sul desocupe as áreas conquistadas”, afirmou uma fonte próxima ao Exército saudita.
Riade tem exigido repetidamente que o CTS deixe as regiões que tomou desde o início da ofensiva em dezembro, mas os separatistas resistem e afirmaram na quinta-feira a disposição de cooperar com forças alinhadas a Riade.
Esses conflitos aumentam a fragilidade do país mais pobre da Península Arábica, que sofre com uma das maiores crises humanitárias globais, e uma guerra prolongada que desde 2014 já causou centenas de milhares de mortes.


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