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Simone Tebet se filia ao PSB para concorrer ao Senado por São Paulo
Simone Tebet, ministra do Planejamento, oficializou sua filiação ao PSB nesta sexta-feira, 27, com o objetivo de disputar uma vaga ao Senado pelo estado de São Paulo. O PSB é o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. Simone será uma das candidatas apoiadas pelo grupo político liderado pelo presidente Lula (PT), que busca enfraquecer a influência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal rival de Lula na maior base eleitoral do país.
A cerimônia de filiação contou com a presença de Alckmin e outras lideranças do PSB, como o ministro do Empreendedorismo, Márcio França; o presidente regional do partido, deputado estadual Caio França; e a deputada federal Tabata Amaral, que ficou em terceiro lugar na eleição para prefeitura de São Paulo em 2024. O evento ocorreu em um espaço nobre na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp).
Durante a cerimônia, foi destacada a participação de Simone Tebet na campanha de Lula como uma demonstração de defesa da democracia. Também foi ressaltado o papel do ministério que ela lidera na execução de políticas públicas, incluindo a liberação de recursos federais para obras no estado, além de seu compromisso com a maior inclusão das mulheres na política.
“Este ano, teremos uma escolha entre aqueles que respeitam o povo e defendem a democracia e aqueles que preferem a ditadura, que mandam no povo”, afirmou Alckmin.
Simone Tebet ingressa no PSB num momento estratégico da articulação ampla de Lula para consolidar votos no eleitorado de centro e da direita não bolsonarista. Ela mudou seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo e abandonou o MDB, seu partido de quase 30 anos, para viabilizar sua candidatura. Em outubro, seu desafio será conquistar uma das duas vagas ao Senado por São Paulo, além de reduzir a rejeição ao ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e enfrentar a oposição de Tarcísio e Flávio Bolsonaro. Haddad, que estava em agenda no Uruguai, não compareceu à filiação.
Simone Tebet já foi vista como possível candidata ao governo paulista. Nos bastidores, sua candidatura é vista por apoiadores como uma alternativa diferenciada para questionar o governador Tarcísio, especialmente em temas como feminicídio e segurança pública, onde os discursos mais rígidos do governo paulista e do filho do ex-presidente Bolsonaro se destacam. Historicamente, o bolsonarismo tem menos adesão entre mulheres do que entre homens.
Segundo a pesquisa Datafolha realizada de 3 a 5 de março, Haddad lidera a corrida ao governo estadual e Simone Tebet aparece como forte concorrente ao Senado, pontuando 25% das intenções de voto em uma amostra com 11 candidatos para duas vagas. Apenas Alckmin tem números maiores, com 31%. O bolsonarismo não ultrapassou 13% das intenções de voto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Lula confirmou a candidatura da ministra em São Paulo com apoio do PT no anúncio da pré-candidatura de Haddad em São Bernardo do Campo, no dia 19. A segunda vaga ao Senado pode ser disputada pelo colega de partido Márcio França ou pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), hipótese que o presidente está avaliando junto a Alckmin, mas que encontra resistência no PSB.
Trajetória política
Simone Tebet construiu sua carreira política no Mato Grosso do Sul, onde foi vice-governadora, senadora, deputada estadual e prefeita de Três Lagoas, sua cidade natal na fronteira com São Paulo. Filiada ao MDB desde 1997, teve posições contrárias ao PT, como votar pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 e defender reformas econômicas liberais.
Na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Simone se aproximou da esquerda, participando da CPI da Covid, que investigou irregularidades na gestão da pandemia. Essa atuação a credenciou para disputar a Presidência em 2022, enfrentando Lula e Bolsonaro. Ela ficou em terceiro lugar, com 4,2% dos votos válidos, superando o ex-governador Ciro Gomes. No segundo turno, apoiou o petista e atuou na campanha vitoriosa.
Nos primeiros turnos em São Paulo, teve desempenho superior à média nacional, com 6,3% dos votos válidos no estado, incluindo 8,1% na capital. Apesar do histórico de apoio petista, a coligação não elege senadores paulistas desde 2010, quando Marta Suplicy venceu. Em 2018, o PSB apostou em Márcio França, mas ele foi derrotado pelo astronauta Marcos Pontes (PL).
Simone Tebet deve evitar temas divisivos para a base petista, como seu histórico de centro-direita, e focar em pautas importantes para a campanha de Lula, como a melhoria dos indicadores econômicos, a redução do desemprego e medidas aprovadas pelo governo federal em parceria com o Congresso, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Recentemente, defende com vigor a aprovação do fim da escala 6×1, que obriga trabalhadores a cumprir seis dias consecutivos antes do descanso.


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