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sobreviventes da ditadura argentina relatam horrores após 50 anos do golpe

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Ana Careaga, psicóloga de 64 anos, lembra o momento em que foi sequestrada grávida na adolescência, durante a ditadura que vigou na Argentina entre 1976 e 1983. Em 24 de março de 1976, após o golpe que derrubou Isabelita Perón, a repressão instaurou medo e controle rígido. Ana foi capturada e sofreu torturas brutais enquanto estava grávida, enfrentando fome e sofrimento físico, mas encontrou força para sobreviver junto ao bebê em seu ventre.

Ela escapou para o exílio na Suécia, onde deu à luz sua filha. Sua mãe foi sequestrada como parte das Mães da Praça de Maio, ativistas que denunciavam desaparecimentos forçados. Muitas dessas mães foram assassinadas, como aquelas jogadas no mar, com seus corpos posteriormente identificados e enterrados.

Jovens caçados e torturados

Pablo Díaz, hoje empresário de 67 anos, era um estudante secundarista quando foi preso em 1976 por participar de movimentos estudantis. Conhecido pelo episódio chamado “A noite dos lápis”, ele foi o único a sobreviver de um grupo que sofreu sequestro e tortura. Sob intensa violência física, incluindo choques elétricos e simulações de execuções, ele encontrou no amor uma forma de resistir durante seus três meses de cativeiro.

Ele testemunhou no famoso Julgamento das Juntas em 1985, revelando para o público o sofrimento de crianças e adolescentes desaparecidos pela repressão.

Resistência e luta pela memória

Miriam Lewin, jornalista de 68 anos, estava na juventude quando o golpe aconteceu. Militante política, viveu dois anos em cativeiro, inclusive no centro clandestino de Esma, onde foi submetida a trabalho forçado e tortura. Seu relato detalha a estratégia dos algozes para iludir os prisioneiros e a população, inclusive levando-os para um estádio no momento da comemoração da Copa do Mundo de 1978 na Argentina.

Com a derrota da ditadura na guerra das Ilhas Malvinas e a retomada da democracia em 1983, a memória e os testemunhos dos sobreviventes se tornaram fundamentais para o país enfrentar seu passado e buscar justiça.

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