Brasil
Surto de chikungunya assusta cidade do MS com quase 2 mil casos e 5 mortes
O município de Dourados, localizado no Mato Grosso do Sul, enfrenta um surto preocupante de chikungunya, com 1.638 casos suspeitos em 2026, sendo 780 confirmados e uma alta taxa de positivação de 78,15%. Isso quer dizer que, a cada 10 exames realizados, quase 8 indicam a doença.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Dourados, 37 pessoas estão hospitalizadas e 5 faleceram, com idades variando entre um mês e 73 anos.
A aldeia Bororó é a área mais impactada da cidade, com 147 casos confirmados, e todas as cinco mortes ocorreram na Reserva Indígena. Diante desse quadro, as autoridades municipais, estaduais e federais estão mobilizadas para reforçar o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
No cenário nacional, o Ministério da Saúde divulgou que, até o fim de março, foram registrados 20.615 casos prováveis de chikungunya e 15 mortes confirmadas, além de outras 15 em investigação. Enquanto isso, no Mato Grosso do Sul, os casos aumentaram de aproximadamente 1,8 mil em 2025 para 3.237 em 2026, com Dourados concentrando a maior parte.
Marçal Filho, prefeito da cidade, enfatizou a necessidade de colaboração dos moradores no combate ao mosquito, alertando para a eliminação de locais com água parada, tanto dentro das casas quanto em quintais. Ele destacou o problema causado pelo lixo acumulado em terrenos baldios e outros locais, que favorecem a proliferação do inseto.
O Ministério da Saúde destinou um recurso emergencial de R$ 900 mil para Dourados, que poderá ser usado em ações de vigilância, controle do mosquito, qualificação do atendimento e suporte às equipes de saúde que atendem a população.
Além disso, iniciou-se a implantação das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), uma tecnologia inovadora da Fiocruz que utiliza armadilhas plásticas contendo larvicida para atrair e exterminar os mosquitos, ajudando a reduzir em mais de 66% a população do Aedes aegypti. Até o momento, 150 destas armadilhas já foram instaladas em bairros como Jóquei Clube, Santa Felicidade e Santa Fé, com previsão de ampliar para mil unidades.
Lívia Vinhal, coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses, reforça que, apesar da importância dessa ferramenta, o sucesso depende da parceria entre o poder público e a comunidade para eliminar os criadouros.
Em áreas indígenas, a Força Nacional do SUS e a Secretaria de Saúde Indígena estão realizando buscas ativas para identificar casos e evitar complicações graves, conforme destacou Rodrigo Stabeli, diretor da FN-SUS.
O Ministério da Saúde também montou uma Sala de Situação para coordenar as ações federais contra o avanço da doença e planeja levar esta estrutura para Dourados para facilitar a integração das ações entre diferentes instâncias governamentais.
Como medida emergencial, foi autorizada a contratação de 20 Agentes de Combate a Endemias, que serão selecionados por análise curricular, para fortalecer o trabalho de campo.
A Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso do Sul disponibilizou 15 leitos exclusivos para pacientes com chikungunya no Hospital Regional de Dourados, sendo 10 para adultos e 5 para crianças, ação temporária enquanto durar o surto.
O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, salientou que, após o decreto de emergência da Prefeitura, haverá reforço na equipe de saúde com contratações temporárias para melhor resposta à situação, tanto na zona urbana quanto na Reserva Indígena, com expectativa de aumento dos casos nas próximas oito semanas.
Márcio Figueiredo concluiu ressaltando que este é um momento crítico e que é fundamental que todos participem ativamente eliminando quaisquer focos de água parada para evitar a reprodução do mosquito transmissor.


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