Economia
Suspeitas sobre os negócios do Master com o BRB aumentam após depoimentos à Polícia Federal
Os depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, e do diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, trouxeram evidências claras de irregularidades e dúvidas quanto à negociação que resultou na compra, pelo banco estatal do Distrito Federal, de carteiras de crédito inexistentes da instituição financeira de Vorcaro.
Gravações dos depoimentos, realizados em dezembro de 2025 por ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram divulgadas ao público na noite de quinta-feira por determinação do mesmo ministro.
À Polícia Federal, Ailton Aquino revelou que o Banco Master criou créditos inexistentes, comparando essa irregularidade a casos anteriores de instituições financeiras como Cruzeiro do Sul e Econômico, que foram liquidada e extinta respectivamente por fraudes comprovadas pelo BC.
Ailton Aquino afirmou ainda que o Banco Central constatou inequivocamente a ausência dos créditos atribuídos ao Master, apontando para a Tirreno, uma empresa criada no fim de 2024 que, segundo investigações, seria uma empresa de fachada viabilizando o resgate financeiro do banco de Vorcaro.
O diretor do BC questionou a existência de transações reais feitas pela Tirreno, ressaltando a ausência de registros em Pix ou TED que comprovassem movimentações financeiras legítimas da empresa.
Além disso, Ailton Aquino apontou que o BRB deveria ter provisionado mais de R$ 5 bilhões em decorrência da aquisição de ativos inexistentes do Master e considerou uma falha grave na governança do banco público, que deveria ter detectado tais fraudes durante suas auditorias.
Daniel Vorcaro afirmou em depoimento que, se tivesse recebido auxílio político, não estaria sob monitoramento judicial e preso eletronicamente, negando envolvimento de amigos políticos na tentativa de viabilizar a venda do Master ao BRB, embora reconheça ter mantido encontros com o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, controlador indireto do banco.
O banqueiro lamentou que o prejuízo final tenha recaído sobre todo o sistema financeiro nacional e expressou frustração pela exposição pública decorrente do caso.
Ibaneis Rocha confirmou encontros com Vorcaro, mas declarou que nunca discutiu assuntos relacionados ao Master. Em novembro de 2025, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central devido a grave crise de liquidez e violações das normas do sistema financeiro. Vorcaro, inicialmente preso preventivamente, teve a prisão revogada e atualmente cumpre medidas restritivas com tornozeleira eletrônica.
No STF, a defesa de Daniel Vorcaro recusou o pedido de abertura de sigilo do celular do banqueiro, alegando temores de vazamento de informações pessoais.
Durante acareação no Supremo Tribunal Federal, Vorcaro e Paulo Henrique Costa apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito adquiridas pelo BRB. Vorcaro explicou que parte dos créditos vinha de terceiros e que a Tirreno era uma dessas originadoras, enquanto Costa afirmou ter entendido inicialmente que os ativos eram originados pelo próprio Master, vindo a ter dúvidas posteriormente.
Paulo Henrique Costa revelou ter realizado cobranças diretas a Daniel Vorcaro para esclarecer irregularidades nas carteiras, em razão da falta de comunicação entre o Master e as áreas técnicas do BRB, ressaltando que registros dessas cobranças devem constar na perícia dos aparelhos celulares usados na comunicação entre as partes.

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