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Tarcísio muda secretários para melhorar diálogo com deputados após conflitos políticos
A recente alteração dupla no secretariado do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, divulgada na semana passada, ajudou a suavizar as tensões com os deputados da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), especialmente após o cancelamento da visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A mudança envolveu a transferência do secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lima, para a Secretaria da Justiça, substituindo Fábio Prieto. Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, assumiu o cargo de Lima.
Deputados da base governista relataram ao jornal O Globo que Lima enfrentava resistência de partidos como o Progressistas, de prefeitos do interior e de aliados, que reclamavam da falta de diálogo devido ao seu estilo rígido de gestão.
Arthur Lima e o governador Tarcísio são formados no mesmo ano pela Academia Militar das Agulhas Negras, em 1996. Durante o governo Bolsonaro, Lima presidiu a EPL, empresa vinculada ao Ministério da Infraestrutura, então comandada por Tarcísio, e liderou o grupo de transição estadual.
Lima esteve na Casa Civil desde o início do mandato, período marcado por queixas sobre a lentidão na assinatura de convênios e na liberação de emendas para deputados do interior, diferença notada em relação à gestão anterior de Rodrigo Garcia.
Deputados atentos à execução orçamentária destacam que a Fazenda apertou o controle das finanças estaduais no último ano devido à instabilidade nas previsões de arrecadação, afetadas por medidas como o aumento tarifário imposto pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, às exportações brasileiras.
Perfil político
Durante a entrega de moradias populares em Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo, em 23 de março, o governador afirmou que a troca faz parte das baixas naturais do ano eleitoral e que buscava um nome com mais habilidade política para a Casa Civil.
Arthur Lima considera concorrer a deputado federal pelo União Brasil em outubro. Ele já foi filiado ao Progressistas, partido que deverá se unir ao União Brasil em uma “superfederação”, e seu cargo foi alvo de pressões do senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas. Já Fábio Prieto pediu exoneração para retomar a advocacia.
Segundo Tarcísio, Lima realizou um trabalho técnico importante na estruturação e reorganização da Casa Civil, mas era necessário um perfil político para os próximos desafios. Roberto Carneiro foi apontado como pessoa de confiança para lidar com partidos e prefeitos, auxiliando o governo no relacionamento político.
Depoimentos de deputados revelam que a saída de Prieto foi abrupta e ele se mostrou cansado da vida pública, confirmando seu retorno à advocacia.
Roberto Carneiro tem influência no interior paulista e atuava na organização de agendas com prefeitos antes da nomeação. Ele é ligado ao deputado federal e presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e já exerceu a função de chefe da Casa Civil no Espírito Santo durante o governo Paulo Hartung.
Carneiro enfrentará desafios como a gestão do ritmo dos repasses em ano eleitoral e a condução de um projeto de regulamentação da Lei Orgânica da Polícia Civil, que encontra atrasos devido a divergências com associações da categoria e pode ficar para o próximo governo.
Tarcísio pretende anunciar outras mudanças no secretariado até 4 de abril, data limite para que candidatos deixem cargos públicos, incluindo substituições no Turismo e Esportes. A situação do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que ocupa a Secretaria de Governo, ainda é indefinida, conforme declarou o governador.

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