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A liquidação extrajudicial voltou a ser destaque na mídia com os casos do Banco Master e do Will Bank, instituições que pertenciam ao mesmo conglomerado financeiro. O Banco Master teve sua liquidação decretada em novembro de 2025, enquanto o Will Bank foi liquidado recentemente, no dia 21 de junho de 2026. A diferença no tempo entre as liquidações causou dúvidas entre investidores e clientes.

De acordo com o Banco Central (BC), após a liquidação do Banco Master, o Will Bank passou a ser gerido sob um regime especial de administração temporária, onde o BC assumiu o controle da instituição com o intuito de manter as operações, evitar impactos imediatos aos clientes e buscar uma solução que mantivesse o banco ativo, como a venda para um novo investidor.

Em comunicado, o Banco Central destacou que buscou preservar a operação da Will Financeira, controlada pelo Will Bank, porém não detalhou sobre tentativas de venda do banco digital, que atendia principalmente clientes de menor renda na região Nordeste.

Durante esse período, a situação financeira do Will Bank piorou, com aumento das dívidas e dificuldades na operação. O fator decisivo para a liquidação foi o não cumprimento dos acordos de pagamento da Mastercard, o que causou bloqueio da participação do Will Bank no sistema da bandeira e suspensão do uso dos cartões. Segundo o Banco Central, isso caracterizou a insolvência da instituição.

O Banco Central informou que a liquidação foi inevitável devido à situação financeira comprometida do Will Bank, à sua incapacidade de cumprir obrigações e à relação direta com o Banco Master, já em processo de liquidação.

O que é liquidação extrajudicial?

Liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo que encerra sistematicamente as atividades de instituições financeiras em crise grave. Essa medida costuma causar preocupação nos clientes sobre o destino de suas contas, investimentos e contratos.

Esse regime é aplicado quando a saúde financeira da instituição se torna insustentável, visando proteger depositantes, credores e o sistema financeiro, prevenindo prejuízos maiores ou falência desordenada.

Quem decide pela liquidação?

No caso de instituições financeiras, a liquidação extrajudicial é decidida exclusivamente pelo Banco Central. A ação pode ser iniciada pelo próprio órgão regulador ou pelos administradores da instituição, conforme previsto em estatutos. A legislação prevê liquidação em casos de insolvência sem reversão, descumprimento de normas, fraudes, falhas operacionais graves ou má gestão.

Além de bancos, seguradoras, entidades de previdência privada aberta e operadoras de planos de saúde também podem ser submetidas a este processo, reguladas por seus respectivos órgãos.

O que ocorre com o banco?

Após a liquidação, as operações do banco são encerradas. Contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de funcionar. O Banco Central nomeia um liquidante para levantar bens, dívidas e créditos, vender ativos e organizar o pagamento dos credores conforme a ordem legal.

Como ficam os clientes?

Clientes perdem acesso imediato aos serviços, e os saldos existentes passam a ser parte do passivo da instituição, tornando-os credores no processo de liquidação. O pagamento dependerá das garantias e ação do liquidante.

Proteção de dinheiro e investimentos

Depósitos e alguns investimentos são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, para produtos elegíveis, como conta corrente, poupança, CDB, entre outros.

No caso do Banco Master, o FGC está pagando cerca de R$ 40,6 bilhões para aproximadamente 800 mil investidores, superando inicialmente a previsão de pagamentos.

Dívidas continuam válidas?

Os débitos dos clientes, como empréstimos e faturas, permanecem válidos. A administração desses contratos passa a ser feita pelo liquidante ou outra instituição que assuma as operações.

Bloqueio de bens dos administradores

A lei determina que os bens dos controladores e ex-administradores da instituição liquidada sejam bloqueados para evitar transferência de patrimônio até apuração de responsabilidades.

Orientações para clientes

Clientes devem reunir documentos como extratos e contratos, e acompanhar apenas os comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do FGC. O Fundo não cobra taxas para os pagamentos e alerta para possíveis golpes em períodos de instabilidade.

Diferença entre liquidação extrajudicial e falência

A liquidação extrajudicial é o processo administrativo inicial para bancos em crise, enquanto a falência pode ser decretada posteriormente se os ativos forem insuficientes ou houver indícios de irregularidades graves.

Os casos do Banco Master e Will Bank destacam a importância dos consumidores entenderem o funcionamento da liquidação extrajudicial e seus direitos em momentos de crise no sistema financeiro.

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