Economia
Taxas de juros longas sobem com possível aval de Lula a Mello no BC e risco fiscal
A curva de juros apresentou um aumento na inclinação durante as negociações desta quarta-feira (4), embora o avanço nas taxas para os prazos mais longos tenha sido inferior a 10 pontos-base em relação aos ajustes anteriores. As taxas para os prazos curtos permaneceram estáveis, com tendência de queda.
O movimento de alta nas taxas intermediárias e longas foi influenciado pela valorização global do dólar, que reverteu o desempenho negativo observado no início das operações.
No cenário interno, os agentes de mercado expressam opiniões divergentes quanto à causa do aumento nos prêmios de risco: se ele decorre principalmente das preocupações fiscais, motivadas pela recente aprovação no Congresso de um projeto que amplia os salários dos servidores públicos e cria novos cargos no Executivo, ou se está relacionado ao descontentamento com a nomeação de Guilherme Mello para um cargo na diretoria do Banco Central.
De acordo com reportagem divulgada pela Reuters no final da tarde de quinta-feira, o presidente Lula deve confirmar a indicação de Mello para a diretoria de Política Econômica, posição estratégica dentro do Banco Central.
Encerradas as negociações, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 subiu de 12,687% para 12,75%, enquanto que o DI para janeiro de 2031 avançou de 13,079% para 13,15%. Para janeiro de 2027, houve ligeira oscilação, de 13,418% para 13,405%, com expectativa crescente de redução da Selic em 0,50 ponto percentual em março.
Um profissional de renda fixa de uma importante gestora, sob anonimato, afirmou que o impacto orçamentário do projeto de lei referente aos servidores é “irrelevante”. No entanto, o conjunto de notícias do dia, incluindo os ruídos fiscais e a nomeação de Mello, aliado a fatores externos como queda nas bolsas e dólar em alta, além de ajustes técnicos após forte alta dos DIs em janeiro, explicam o aumento na inclinação da curva.
Segundo Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, os movimentos da curva de juros foram moderados. Contudo, tanto as preocupações fiscais quanto a confirmação da indicação de Mello foram precificadas pelo mercado.
Ele ressalta que a diretoria a que Mello será indicado é responsável por pesquisas econômicas e análises que influenciam outras áreas do Banco Central, tornando o cargo muito relevante. Os investidores estão cautelosos pela proximidade de Mello com o governo petista, o que poderia representar um risco maior de interferência do Executivo nas decisões da autoridade monetária, além de sua postura econômica mais heterodoxa.
Outro participante do mercado, que preferiu não se identificar, destaca que a sinalização de expansão vinda do Congresso teve mais peso para a alta das taxas médias e longas. Ele acrescenta que a variação das taxas acompanhou a volatilidade diária normal. “Mas com o Congresso retornando ao trabalho após o recesso, já tivemos esse sinal”, explicou, referindo-se ao projeto de lei aprovado na terça-feira com impacto orçamentário.

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