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Economia

Taxas estão estáveis com leve queda do dólar e dos Treasuries

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Na sessão desta segunda-feira (23), os juros futuros negociados na B3 tiveram pequenas oscilações, com volatilidade concentrada nas horas finais nos vencimentos mais longos, mas permaneceram quase estáveis em comparação com os ajustes anteriores.

O principal fator influenciando as operações foi a cautela no cenário externo, já que não houve eventos domésticos expressivos para impactar as taxas e a liquidez esteve um pouco reduzida. A queda do dólar perdeu força em relação às mínimas alcançadas no final da manhã, porém, a fraqueza global da moeda americana junto com a redução dos rendimentos dos Treasuries, diante de incertezas geopolíticas e tarifárias, sustentaram a estabilidade do mercado local de renda fixa.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 variou de 13,249% (ajuste de sexta-feira) para 13,245%. O DI para janeiro de 2029 passou de 12,603% para 12,595%. Já o DI para janeiro de 2031 ficou em 13,045%, ante 13,043% no ajuste anterior.

Às 18h, os rendimentos dos títulos americanos apresentavam queda: o retorno da T-Note de 2 anos estava em 3,438%, o da T-Note de 10 anos caiu para 4,030%, e o do T-Bond de 30 anos recuou para 4,702%. Investidores buscaram segurança na renda fixa dos EUA diante do aumento das preocupações sobre tarifas, após o anúncio do presidente Donald Trump de que a sobretaxa global será de 15%, em vez dos 10% informados anteriormente.

Além da questão tarifária, que voltou ao centro das atenções após a Suprema Corte dos EUA derrubar grande parte das tarifas impostas, o mercado também permanece atento às tensas relações entre os EUA e o Irã. Diante deste cenário, ativos de países emergentes, como o Brasil, continuam a se beneficiar da tendência global de realocação de investimentos.

Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research, destaca que o pessimismo momentâneo em relação às empresas de tecnologia dos EUA, devido a dúvidas sobre a sustentabilidade dessas companhias, também contribuiu para a queda dos rendimentos dos Treasuries, promoveu maior fluxo para emergentes e pressionou o dólar, refletindo nos DIs. “Hoje tivemos essa agenda global de diversificação além dos EUA. Os dados domésticos mais importantes serão divulgados no final da semana”, comentou a analista, referindo-se ao IPCA-15 de fevereiro e ao Caged de janeiro.

Laís Costa também ressaltou que metade da composição do índice DXY (que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes), que operava em queda, representa a variação em relação ao euro. “Os países da zona do euro já haviam feito acordos com os EUA, retirando esse risco, mas a insegurança retornou, causando desvalorização do dólar,” explicou.

O único dado doméstico divulgado nesta segunda-feira foi o boletim Focus, que teve impacto neutro sobre a curva dos DIs ao manter as expectativas inflacionárias para 2027 em diante, com leve redução para este ano. A projeção mediana para o IPCA de 2026 caiu de 3,95% para 3,91%, a sétima queda seguida. Para 2027, 2028 e 2029, as estimativas permaneceram estáveis em 3,8% para o próximo ano e 3,5% para os dois seguintes.

Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do banco Pine, afirmou em relatório que o cenário inflacionário permanece favorável e coerente com a desaceleração da inflação acumulada em doze meses ao longo do ano. “A dinâmica positiva dos indicadores de núcleo, a política monetária ainda contracionista e o comportamento atual do câmbio indicam inflação IPCA próxima a 3,8% em 2026,” projetou.

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