Conecte Conosco

Brasil

Taxas longas sobem com influência externa e escolhas do governo para o BC

Publicado

em

A curva de juros mostrou um movimento claro de ‘bear steepening’ durante a sessão desta segunda-feira (2), caracterizado por um aumento mais acentuado nas taxas de longo prazo, enquanto as taxas de curto prazo permaneceram praticamente estáveis com uma leve queda.

As taxas a partir de janeiro de 2030 foram impulsionadas pela elevação nos juros dos títulos do Tesouro americano e pela valorização do dólar. Além dessas pressões externas, o mercado reagiu à possível indicação de Guilherme Mello, atual secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, para uma vaga na diretoria do Banco Central (BC). Esse anúncio impactou principalmente as taxas de longo prazo, que são mais sensíveis às expectativas sobre interferências do Executivo nas decisões de política monetária.

No fechamento dos negócios, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2027 teve uma leve redução, passando de 13,468% para 13,455%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 12,962% para 12,75%, enquanto o DI para janeiro de 2031 subiu de 13,042% para 13,145%.

A indicação de Guilherme Mello pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi confirmada por fontes próximas. Formado em Economia pela PUC-SP e doutor pela Unicamp, Mello é uma figura próxima ao atual governo e participou da elaboração do plano econômico da campanha presidencial de 2022.

Ex-diretores do Banco Central expressaram mais críticas do que apoio à nomeação, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado. Um economista do mercado comentou que a influência de Mello é um dos fatores principais para o atual movimento da curva, embora também exista o impacto da alta dos juros globais.

Espera-se que a presença de Mello no BC pressione a parte curta da curva para baixo, pois o mercado acredita em cortes maiores dos juros, enquanto o segmento longo apresenta alta, refletindo um possível ajuste futuro com aumentos da Selic após cortes excessivos.

Um ex-diretor do BC, que preferiu manter o anonimato, afirmou que a indicação de Mello seria uma decisão negativa e interpretada como retaliatória por parte do Ministério da Fazenda, devido à demora do Banco Central em iniciar cortes na taxa de juros.

Além das notícias locais, fatores externos também influenciaram o mercado. O rendimento dos títulos americanos teve alta, com a T-Note de 2 anos a 3,574%, a de 10 anos a 4,281% e o T-Bond de 30 anos a 4,912%. O índice de atividade industrial dos EUA subiu para 52,6 em janeiro, acima das expectativas, pressionando os juros longos.

O presidente da filial de Atlanta do Federal Reserve, Raphael Bostic, destacou a importância da paciência na redução dos juros, devido à persistente inflação elevada nos EUA, o que contribuiu para o aumento dos rendimentos dos títulos americanos.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, comentou que a escolha de Kevin Warsh para presidir o Banco Central americano gera dúvidas. Apesar de declarações recentes mais conciliatórias, seu histórico torna o mercado cauteloso, interpretando que suas falas podem ter sido feitas apenas para agradar o então presidente Donald Trump.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados