Brasil
Toffoli e a PF: divergências no caso Master explicadas
Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), renunciou nesta quinta-feira à relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master.
A decisão ocorreu após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentar ao presidente do STF, Edson Fachin, informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que continham referências ao ministro Toffoli.
Recebido o material pela Polícia Federal, o presidente do STF encaminhou o documento ao ministro para que este avaliasse possíveis conflitos de interesse em sua função como relator do caso Master. O assunto foi discutido em reunião entre os ministros da Suprema Corte.
Acareação
Em dezembro de 2025, durante uma acareação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, seguida por depoimento do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, houve divergências na condução das oitivas.
A delegada da PF responsável pelos depoimentos, Janaína Palazzo, e o juiz auxiliar do gabinete de Toffoli, Carlos Von Adamek, tiveram opiniões diferentes sobre o procedimento das entrevistas. O juiz entregou à delegada uma lista de perguntas elaboradas por Toffoli, que a delegada contestou, alegando que a condução cabia à PF. Em resposta, o juiz consultou o ministro, que ordenou que as perguntas fossem feitas como se fossem dele.
Durante o depoimento de Ailton Aquino, duas perguntas da lista foram feitas pela delegada; uma delas, relacionada a possíveis medidas futuras sobre o Banco Master após a liquidação extrajudicial, não foi respondida. O procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer, que acompanhava Aquino, considerou a pergunta especulativa e pouco clara.
Provas
Em 14 de janeiro, o ministro Toffoli tomou uma decisão controversa ao ordenar que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero do mesmo dia fosse mantido lacrado e guardado nas dependências do STF.
A fase da operação apreendeu diversos itens, incluindo celulares, computadores e armas, envolvendo figuras como o banqueiro Daniel Vorcaro, seu cunhado, o investidor e pastor evangélico Fabiano Zettel, e o investidor Nelson Tanure. Na ocasião, Zettel foi detido ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A decisão de armazenar as provas no STF gerou preocupação entre os investigadores da PF, que temiam a perda de evidências importantes, diante do risco de apagamento remoto dos dispositivos eletrônicos.
Posteriormente, também em 14 de janeiro, Toffoli autorizou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a extrair e analisar todo material apreendido na operação relativa ao Banco Master.
No dia seguinte, o ministro permitiu que quatro peritos da PF acessassem as provas para análise junto à PGR, responsável pelo material.
A Polícia Federal utilizou dois programas, um israelense e outro americano, para realizar a extração de dados dos celulares, inclusive o de Vorcaro. Esses softwares são capazes de desbloquear os dispositivos e acessar grande parte dos arquivos, embora não todo o conteúdo.

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