Economia
Toffoli pode diminuir pressão enviando caso Master para 1ª instância
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideraram favorável a declaração do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao admitir a possibilidade de encaminhar o caso Master para a primeira instância e a decisão de liberar o sigilo dos depoimentos de Daniel Vorcaro, dono da instituição, do presidente afastado do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino.
Segundo um ministro, essas duas atitudes ajudam a diminuir a pressão sobre o Supremo e a reduzir as críticas direcionadas ao próprio magistrado. Esse servidor do presidente Lula também acredita que o melhor caminho para Toffoli é adotar uma postura o mais tradicional possível em suas decisões e procedimentos para minimizar as contestações.
Conforme noticiado em 8 de janeiro pelo O Globo, o presidente demonstrava desconforto com a atuação do Supremo no caso da liquidação do Banco Master, especialmente em relação a Toffoli. Lula entendia que ações que questionassem uma decisão técnica geram instabilidade e prejudicam a imagem das instituições.
No último domingo, o colunista Lauro Jardim revelou que, no começo de dezembro, pouco depois de Toffoli ter determinado sigilo absoluto no processo do banco, Lula reuniu-se com o ministro do STF na Granja do Torto. O encontro, que não constava na agenda oficial do presidente, contou também com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao final da conversa, Lula disse a Toffoli: “Esta é sua oportunidade de mudar sua trajetória.”
Os vídeos
A liberação dos vídeos trouxe mais informações sobre o diálogo entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, o presidente afastado do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor do Banco Central (BC), Ailton Aquino, que não está investigado e não participou da acareação.
Em um dos vídeos, fica evidente que durante a acareação Vorcaro e Costa apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito problemáticas adquiridas pela instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal a partir de 2025.
Vorcaro afirmou que o BRB estava ciente de que parte dos créditos não foi originada pelo Master, mas por outra empresa chamada Tirreno. Ele explicou que o modelo de negócios previa a compra de carteiras estruturadas por outras entidades. Por outro lado, Costa negou essa versão, alegando que sempre entendeu que os ativos provinham do próprio Master e que as dúvidas sobre a procedência das carteiras surgiram apenas posteriormente.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login