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Treinadora afegã presa por ensinar taekwondo a meninas; risco de pena de morte

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Uma jovem afegã de 22 anos enfrenta a possibilidade de pena de morte após sua prisão por desafiar a proibição do Talibã contra a prática esportiva feminina.

Khadija Ahmadzada foi detida em 10 de janeiro por agentes da chamada polícia moral, quando autoridades descobriram que ela dava aulas secretas de taekwondo para meninas em um espaço escondido em sua casa, no oeste do Afeganistão. Ativistas temem que ela já tenha sido sentenciada à pena capital por apedrejamento.

Segundo a ativista social britânico-afegã Shabnam Nasimi, há relatos de pessoas próximas à família indicando que um tribunal do Talibã decretou uma punição severa para a treinadora pelo “crime” de ensinar e praticar esportes. Em vídeo nas redes sociais, Nasimi alertou que a falta de informações oficiais desde a prisão aumenta o risco à vida da jovem, ressaltando que a pressão internacional pode ser crucial para evitar um desfecho trágico.

Pressão internacional como possível solução

Nasimi afirma que a família de Khadija Ahmadzada está sem notícias formais sobre o paradeiro ou o status legal da jovem, enquanto um juiz do regime analisa o processo. Testemunhas relatam que agentes invadiram a casa e levaram Khadija à força; o pai dela também foi detido, e ambos ficaram presos por mais de uma semana. “Se o caso ganhar repercussão mundial, o Talibã pode retroceder, temendo a pressão externa”, disse Nasimi.

A prisão acontece em um contexto de intensificação das restrições contra mulheres desde o retorno do Talibã ao poder em agosto de 2021. O regime proibiu as mulheres de participarem de esportes — seja treinando, competindo ou dando aulas — alegando que essas atividades vão contra suas interpretações religiosas. Desde então, atletas passaram a atuar na clandestinidade ou no exílio, correndo risco de punição se continuarem a treinar em locais privados.

Organizações de direitos humanos e defensores do esporte condenam o caso como violação das liberdades básicas e pedem a liberação imediata de Khadija Ahmadzada. O relator especial da ONU para os direitos humanos no Afeganistão, Richard Bennett, pediu ao Talibã que assegure a segurança da jovem e a liberte, destacando o episódio como parte de um padrão de intimidação contra mulheres profissionais no país.

Desde 2021, academias e centros esportivos exclusivos para mulheres foram fechados; parques e locais de lazer foram proibidos para elas. A repressão alcança educação e trabalho, com fechamento das escolas secundárias e universidades para mulheres, limitações no emprego e imposição de códigos rígidos de vestimenta.

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