Economia
Trump busca tranquilizar população e diz que conflito está próximo do fim
Em um discurso de 19 minutos transmitido em rede nacional na quarta-feira, 1º, o presidente Donald Trump defendeu o que chamou de “sucesso” na guerra contra o Irã, reiterando diversas conquistas militares e afirmando que o conflito está próximo de seu encerramento. Sob pressão pelo aumento dos preços dos combustíveis nos EUA e pela queda em sua popularidade, ele reafirmou o prazo de “duas a três semanas” para o término das hostilidades.
“Nas próximas duas ou três semanas, vamos levar o Irã de volta à Idade da Pedra, que é o lugar onde eles pertencem”, declarou. “Enquanto isso, as negociações continuam.”
A pouco mais de sete meses das eleições de meio de mandato, Trump buscou tranquilizar os americanos, garantindo que o Estreito de Ormuz, passagem que responde por 20% do petróleo mundial, “se abrirá naturalmente” após o fim da guerra. As ameaças iranianas aos navios elevaram os preços do petróleo, afetando diretamente o custo dos combustíveis nos Estados Unidos.
O presidente mencionou pouco as consequências do conflito, mesmo com o impacto da inflação sendo sentido por grande parte da população. Segundo ele, os EUA não dependem do petróleo iraniano, especialmente após o aumento das importações de petróleo venezuelano, e assegurou que a economia americana permanece forte.
Economistas, entretanto, são mais cautelosos. Alguns revisaram para baixo as previsões de crescimento e para cima as estimativas de inflação e desemprego, conforme reportado pelo New York Times. Outros alertam para a possibilidade de recessão caso a guerra se intensifique e os preços do petróleo subam ainda mais.
Mais cedo, Trump afirmou que o “novo presidente do regime iraniano” solicitou um cessar-fogo — embora o país tenha um novo líder supremo, não um novo presidente, como ele disse. Por meio de suas redes sociais, declarou que poderia suspender a guerra caso o Estreito de Ormuz fosse reaberto. “Até lá, vamos intensificar as ações contra o Irã.”
Negativa iraniana
Em entrevista à Al-Jazeera, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, negou o pedido de trégua. A Guarda Revolucionária afirmou que manterá o estreito fechado e rejeitou o que classificou como “manobras performáticas” de Trump. “Ormuz está sob o controle da Guarda Revolucionária”, disse o grupo em comunicado. “Ele será aberto, mas não para os inimigos.”
Trump descreveu o responsável iraniano que teria solicitado a trégua como “menos radical e mais inteligente que seus antecessores”. Desde o começo da semana, ao perceber a dificuldade de encontrar formas para encerrar o conflito, ele tem buscado maneiras de declarar vitória. Uma delas seria anunciar que os EUA derrubaram o regime iraniano.
“Acredito que houve uma mudança de regime, mas não se pode fazer muito além disso. O regime, que era realmente ruim e maligno, foi o primeiro a ser deposto”, afirmou na segunda-feira. “A mudança de regime é essencial, mas acredito que ela ocorreu automaticamente.” Contudo, em seu pronunciamento na Casa Branca, Trump disse que a mudança de regime nunca foi o objetivo dos EUA.
Avanços militares e incertezas
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, os EUA e Israel eliminaram dezenas de líderes iranianos, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Seu sucessor escolhido, Mojtaba Khamenei, considerado mais radical e apoiado pela Guarda Revolucionária, garantiu o domínio das facções extremistas do regime.
Na quarta-feira, Trump afirmou que as instalações nucleares iranianas foram atacadas novamente recentemente e que levaria meses para que o país se aproximasse de uma bomba nuclear. Repetiu comentários anteriores de que o material nuclear estaria sob os escombros e, portanto, não é mais uma preocupação.
O desmantelamento do programa nuclear iraniano tem sido um ponto de mudança constante nas declarações do presidente. O programa, segundo ele, foi motivo para os bombardeios realizados em junho do ano passado, que teriam destruído completamente as instalações atômicas em Fordow, Natanz e Isfahan.
Trump alegou que o Irã estava próximo de fabricar uma bomba atômica, embora especialistas afirmem que o processo levaria meses ou anos, segundo avaliações das agências de inteligência dos EUA.
Posição dos EUA na aliança internacional
As declarações confusas do presidente aumentam ainda mais as incertezas sobre o futuro. Um rumor recente envolve a relação dos EUA com a Otan. Na terça-feira, 31, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA devem reavaliar sua participação na aliança após o conflito com o Irã.
Na quarta-feira, em entrevista ao jornal Telegraph, Trump afirmou que está considerando retirar os EUA da Otan, criticando a falta de apoio dos aliados europeus durante a guerra. No entanto, em seu discurso à nação, não comentou sobre o tema.
Deixar a aliança, entretanto, não é tarefa simples. Em 2024, o Congresso aprovou a Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA), que impede o presidente de retirar o país da Otan sem a aprovação de dois terços do Senado ou de uma nova legislação. Essa medida foi proposta pelo próprio Marco Rubio.


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