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Trump designa diplomata ligado a Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo para tratar com governo Lula

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu um funcionário do Departamento de Estado bastante conectado à ala trumpista mais radical e ao bolsonarismo para atuar nas relações com o Brasil. Esse funcionário se tornou um crítico vocal de Luiz Inácio Lula da Silva durante a crise diplomática do ano passado, que resultou em sanções e tarifas elevadas.

O indicado não é um diplomata tradicional, mas sim o empresário de mídia e estrategista político Darren Beattie, que já foi redator de discursos e assessor do próprio Trump na Casa Branca.

Essa nomeação acontece enquanto os dois países se preparam para uma viagem do presidente Lula a Washington, prevista para março, embora sem data definida ainda.

Beattie já atua em questões diplomáticas e ocupa um cargo elevado no Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais. Anteriormente, desempenhou a função de subsecretário para Diplomacia Pública no Departamento de Estado.

Fontes indicam que ele será responsável por assuntos relacionados ao Brasil e supervisionará outros países da América do Sul, como Paraguai, Argentina, Uruguai e Chile, dentro da divisão conhecida como “Brasil e Cone Sul – BSC” no Escritório do Hemisfério Ocidental.

Autoridades americanas confirmaram que Beattie já funciona como conselheiro sênior em temas relacionados ao Brasil.

Ao ser questionado sobre a nomeação oficial e início das funções, um representante do Departamento de Estado afirmou que Darren Beattie atua atualmente como conselheiro sênior para políticas sobre o Brasil e continua a promover a agenda externa “America First”. Ele também preside o recém-criado Instituto Donald J. Trump para a Paz.

Apesar de seu perfil não ser bem recebido em Brasília, o governo brasileiro deve evitar comentários sobre a nomeação, reconhecendo que se trata de uma decisão do governo dos Estados Unidos.

Durante a crise do ano passado, interlocutores brasileiros descreviam Beattie como parte de um “gabinete do ódio” dentro do Departamento de Estado, em conjunto com outras figuras como Ricardo Pita, que também está envolvido em questões das Américas.

Esses funcionários estiveram próximos à implementação de sanções contra autoridades do Supremo Tribunal Federal e do governo Lula, e mantinham contato com membros da campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o comentarista e youtuber Paulo Figueiredo e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.

“Nada como um dia após o outro, não é @BolsonaroSP? Se desistíssemos no primeiro revés, não teríamos avançado. O trabalho é a longo prazo. Desejo sucesso ao Darren Beattie”, comentou Paulo Figueiredo.

“O presidente Trump e seu governo se posicionam firmemente contra a perseguição e censura do juiz de Moraes, violador de direitos humanos sancionado. Que esta rodada de sanções sirva como aviso para quem apoia a campanha negativa de Moraes contra Jair Bolsonaro e seus aliados”, afirmou Darren Beattie quando estava à frente da Diplomacia Pública.

No final do ano passado, Beattie diminuiu sua exposição pública e deixou de aparecer nos meios oficiais, enquanto a crise diplomática amenizava através de esforços de aproximação direta entre os governos Lula e Trump. Em outubro, ele foi realocado para assuntos de Educação e Cultura.

Sua sucessora na subsecretaria de Diplomacia Pública, Sarah Rogers, confirmou a indicação de maneira informal em rede social, postando um vídeo que mostrava a remoção de uma capivara de um supermercado brasileiro.

“Em breve mais conteúdo sobre o Brasil sob @DarrenJBeattie”, publicou ela em 27 de janeiro.

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