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Trump mostra fúria no ataque ao Irã sem objetivo claro

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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, relatou que ordenou um ataque ao Irã para eliminar uma ameaça, mas não esclareceu como pretende encerrar o conflito.

Inicialmente, Trump afirmou que seu objetivo era eliminar uma ameaça nuclear. Após anunciar a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, nos primeiros ataques, ele convocou o povo iraniano a se rebelar. Contudo, disse que a guerra que declarou, em conjunto com Israel, não buscava uma mudança de regime.

A operação militar, iniciada por Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recebeu o nome do Pentágono: “Fúria Épica”.

Trump indicou que o conflito pode durar quatro semanas ou mais no país de 90 milhões de habitantes, onde centenas foram mortos, e alertou sobre ataques adicionais, potencialmente mais fortes.

Em resposta às críticas sobre a falta de clareza, o presidente e seus principais assessores divulgaram quatro objetivos militares para a guerra: destruir a marinha e as capacidades militares do Irã, acabar com o apoio do governo iraniano a grupos militantes regionais, e impedir o desenvolvimento de uma bomba nuclear.

Matthew Kroening, vice-presidente do Atlantic Council, opinou que Trump já alcançou muitos objetivos, incluindo eliminar um líder que por décadas foi um obstáculo para os EUA, e que Trump está testando os limites para evitar um conflito longo como no Iraque e Afeganistão.

Segundo Kroening, “Eles podem encerrar a qualquer momento e considerar isso um sucesso”. Ele observou que a estratégia está mais voltada para evitar consequências negativas do que para definir objetivos precisos.

Negar Mortazavi, pesquisadora do Centro para Políticas Internacionais, afirmou que o Irã pode rejeitar um cessar-fogo imediato, considerando sua resposta moderada em ataques anteriores.

“O alvo é garantir que o impacto seja sentido fortemente nos Estados Unidos, Israel e países vizinhos”, disse.

Para Netanyahu, a abordagem é conhecida. Israel já destruiu infraestruturas militares na Síria para enfraquecer seus adversários, enquanto os EUA apoiam o líder interino Ahmed al Sharaa, um ex-jihadista.

Netanyahu ordenou uma ofensiva rigorosa que devastou Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que conta com apoio do Irã.

Tradicionalmente, os EUA enfatizavam princípios elevados, buscando promover democracia após intervenções no Afeganistão e Iraque. Porém, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que a guerra no Irã não é “construção de democracia” e não seguirá “regras de engajamento estúpidas”.

Trita Parsi, vice-presidente executivo do Instituto Quincy, disse que o objetivo de Trump não é mudança de regime, mas sua desintegração.

“Espera-se que consigam degradar ao máximo as capacidades militares e repressivas do Irã”, afirmou.

De acordo com Parsi, do ponto de vista israelense, isso é positivo: quanto mais o Estado enfraquece, mais o Irã perde importância geopolítica.

Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979, expressou confiança na queda do Estado religioso e convocou os iranianos a se levantarem no momento certo.

Estados Unidos e Israel intervieram semanas depois que autoridades reprimiram protestos que deixaram milhares de mortos.

Max Boot, historiador militar e pesquisador sênior no Conselho de Relações Exteriores, afirmou que Trump não deixou claro se quer mudança de regime ou mudança de comportamento do Irã.

“Parece que mantém essa ambiguidade para poder declarar vitória em qualquer cenário”, disse Boot.

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