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Trump ordena bloqueio naval no Estreito de Ormuz após impasse com Irã

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Donald Trump ordenou neste domingo (12) o bloqueio naval do Estreito de Ormuz após acusar o Irã de manter uma postura inflexível sobre suas ambições nucleares durante negociações no Paquistão visando encerrar seis semanas de conflito no Oriente Médio.

O insucesso das negociações em Islamabad aumentou a apreensão sobre a estabilidade da delicada trégua vigente.

O presidente americano reconheceu que as conversas tiveram avanços e que houve acordo em diversos pontos, exceto na questão nuclear, conforme publicou na rede Truth Social.

Trump anunciou que a Marinha dos Estados Unidos iniciará imediatamente um bloqueio a todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz e afirmou que começará a neutralizar as minas marítimas instaladas pelo Irã.

“O bloqueio terá início em breve. Outros países participarão”, complementou, sem fornecer mais detalhes.

Desde o começo do conflito — que causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano — Teerã mantém controle rigoroso sobre essa passagem estratégica, por onde transitava aproximadamente 20% das exportações mundiais de petróleo.

Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e líder da delegação do país nas negociações no Paquistão, declarou ao retornar a Teerã que o país “não cederá a ameaças de Washington”.

O Irã permite a passagem de navios de aliados, como a China, e há relatos não confirmados de que pretende cobrar taxas nessa rota.

A Guarda Revolucionária iraniana respondeu afirmando que mantém “controle total” sobre o Estreito.

Shahram Irani, chefe da Marinha iraniana, qualificou a ameaça de Trump como “ridícula”.

“O Exército iraniano monitora todos os movimentos do agressivo Exército americano na região. As ameaças dos EUA de bloquear o Irã por mar são muito ridículas e risíveis”, afirmou à televisão estatal.

A agência Fars informou que dois petroleiros paquistaneses que se dirigiam ao estreito deram meia-volta.

O Irã divulgou que o Instituto de Medicina Legal contabilizou 3.375 mortos no conflito, enquanto uma ONG americana registrou mais de 3.500 vítimas, incluindo 248 crianças.

O conflito começou com ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, seguido por bombardeios iranianos contra países do Golfo, alvos americanos e localidades israelenses, ampliando a crise no Oriente Médio e impactando a economia global.

“Acabar com o Irã”

Trump reforçou sua estratégia de ameaças ao declarar, em entrevista à Fox News, que poderia destruir o Irã em um único dia.

O presidente alertou que poderia acabar com todo o sistema energético iraniano e advertiu a China que, caso forneça ajuda militar ao Irã, enfrentará tarifas de 50%.

Esse ultimato ocorreu após o fracasso nas negociações para encerrar a guerra.

Irã e Estados Unidos começaram as negociações no Paquistão com posições muito distantes. Foi o diálogo de maior nível entre os países desde a Revolução Islâmica de 1979.

O Irã defende o direito ao programa nuclear civil, mas os países ocidentais o acusam de buscar armamento nuclear.

“Sempre disse, há muitos anos, que o Irã nunca terá uma arma nuclear”, declarou Trump ao anunciar o bloqueio naval.

Ghalibaf afirmou que apresentou propostas construtivas, mas que a delegação americana não conquistou a confiança iraniana.

O parlamentar iraniano Mahmoud Nabavian comentou que as exigências dos Estados Unidos incluem participação nos lucros do estreito de Ormuz e a eliminação do urânio enriquecido a 60%.

A especialista Nicole Grajewski destacou que o bloqueio americano não é uma medida coercitiva menor, mas um indicativo de maior disposição para ações militares diretas, demonstrando frustração com a diplomacia.

O conflito persiste

O fracasso das conversas levantou receios sobre a retomada dos combates, o que poderia elevar ainda mais os preços da energia e afetar o comércio global de petróleo e gás.

O Paquistão pediu que ambos os países mantenham o cessar-fogo temporário.

Contudo, dúvidas aumentam devido aos ataques contínuos de Israel contra o Líbano, enquanto o Irã insiste que a trégua deve ser cumprida também nessa região.

Autoridades libanesas e israelenses se reunirão em Washington para negociações.

Neste domingo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou tropas no sul do Líbano e afirmou por vídeo que a ameaça de invasão do Hezbollah ao norte de Israel foi neutralizada, mas que a guerra continua, inclusive na zona de segurança do Líbano.

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