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Trump quer acordo nuclear novo entre EUA e Rússia
O presidente Donald Trump solicitou que os Estados Unidos e a Rússia iniciem negociações para um acordo nuclear renovado e atualizado, invés de simplesmente estender um pacto que expirou no dia 5 de fevereiro, encerrando décadas de limitações sobre os arsenais de ogivas nucleares.
“Ao invés de prorrogar o ‘Novo START’, deveríamos fazer com que nossos especialistas nucleares desenvolvam um acordo novo, melhor e modernizado, que tenha validade por muitos anos”, declarou Trump em sua plataforma Truth Social.
Até então, Trump havia se mantido em silêncio sobre os pedidos da Rússia para estender o Novo START, tratado original de 2010 que impôs as últimas restrições significativas entre as maiores potências nucleares desde a Guerra Fria.
Ele criticou o acordo, assinado pelo ex-presidente Barack Obama e estendido pelo atual presidente Joe Biden, qualificando-o como “mal formulado” e afirmando que fora “grosseiramente violado”.
O Novo START expirou à meia-noite do dia 5 de fevereiro (00h00 GMT), após os EUA não aceitarem prolongar o acordo por mais um ano, proposta feita pelo presidente russo Vladimir Putin.
Os Estados Unidos pretendem incluir a China em futuras negociações, porém Pequim rejeitou essa ideia neste momento.
A chancelaria chinesa, somando-se a outras vozes internacionais, lamentou o fim do pacto, mas informou que “nesta fase” não participará de eventuais conversações nucleares.
De acordo com um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, “as capacidades nucleares da China ainda são de uma escala significativamente diferente das dos EUA e da Rússia”.
Rússia e Estados Unidos mantêm juntos mais de 80% das ogivas nucleares do mundo, porém os acordos de controle de armas têm perdido força.
O arsenal nuclear chinês tem crescido rapidamente e é estimado em cerca de 550 lançadores estratégicos, abaixo do limite conjunto de 800 acordado pelos EUA e Rússia. O Reino Unido e França, aliados dos EUA, possuem cerca de 100 lançadores juntos.
Fim de uma era e preocupações globais
O Novo START foi criado para reduzir o arsenal estratégico de cada país para 1.550 ogivas implantadas, uma redução de quase 30% comparado ao limite anterior de 2002. O acordo também garantia inspeções recíprocas, porém essas verificações foram suspensas em 2023.
António Guterres, secretário-geral da ONU, classificou este momento como “grave para a paz e segurança internacional”, conclamando Washington e Moscou a voltarem às negociações imediatamente para estabelecer um novo marco.
Um funcionário da OTAN, falando sob anonimato, apelou para “moderação e responsabilidade” e afirmou que a aliança está tomando medidas para assegurar sua defesa, criticando também a “retórica nuclear irresponsável da Rússia” e o rápido aumento do arsenal nuclear da China.
O grupo japonês de vítimas das bombas atômicas de 1945 expressou temores de que o mundo esteja se aproximando de uma guerra nuclear com o fim do Novo START. Tarumi Tanaka, copresidente do grupo Nihon Hidankyo, disse em entrevista coletiva: “Tenho a sensação de que em um futuro próximo enfrentaremos uma guerra nuclear e caminharemos para a destruição”.
Reações oficiais e o futuro do controle nuclear
A Rússia comunicou o término de seu vínculo com o tratado, mas o presidente russo enfatizou que continuará a agir com cautela e responsabilidade, conforme afirmou seu assessor diplomático, Yuri Ushakov.
Ushakov afirmou que ainda estão abertos a encontrar caminhos negociados para manter a estabilidade estratégica. Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou o encerramento do acordo como “negativo”.
A China pediu aos EUA que retomem o diálogo sobre estabilidade estratégica com a Rússia, conforme declarou o porta-voz da chancelaria, Lin Jian.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reiterou a posição de que futuros acordos devem incluir a China.
A campanha internacional ICAN, que luta pela abolição das armas nucleares, pediu que Rússia e Estados Unidos se comprometam publicamente a respeitar os limites do Novo START enquanto negociam um novo acordo.
Além disso, o papa Leão XIV alertou sobre o risco de uma nova corrida armamentista, pedindo para que o acordo não seja abandonado sem que haja um acompanhamento concreto e eficaz para substituí-lo.

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