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Trump quer contar com opositora Machado na transição da Venezuela

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que gostaria de incluir a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, no processo de transição na Venezuela após a saída de Nicolás Maduro.

Essa declaração representa uma mudança de postura de Trump, que recentemente recebeu de Machado a medalha do prêmio Nobel da Paz que ela conquistou em dezembro último.

O mandatário descreveu Machado como uma mulher de grande gentileza que realizou feitos notáveis e comentou que estão em diálogo para possivelmente envolvê-la de alguma maneira, expressando seu desejo de colaboração.

Até o momento, Machado não havia sido considerada nos planos de Trump, que vinha estreitando laços com Delcy Rodríguez, figura central na Venezuela pós-Maduro.

Rodríguez firmou acordos energéticos com os Estados Unidos, comprometeu-se a libertar prisioneiros políticos e iniciou esforços para retomar as relações diplomáticas, cortadas desde 2019. Ela informou sobre a entrada de 300 milhões de dólares oriundos da venda de petróleo venezuelano pelos EUA, valor que será destinado à estabilização da moeda local.

Além disso, nomeou um responsável para atrair investimentos estrangeiros enquanto busca incentivar empresas petrolíferas americanas a investirem no país. Trump também conversou por telefone com Delcy Rodríguez, a quem chamou de formidável.

Contexto recente

Em 3 de janeiro, Maduro foi deposto durante uma operação americana na Venezuela, que incluiu ataques aéreos em Caracas e regiões vizinhas. O ex-presidente foi capturado e transferido com sua esposa para Nova York para responder a acusações de narcotráfico.

Machado estava fora da Venezuela nesse momento. Após um período de escondida, fugiu do país numa operação especial para receber o prêmio Nobel em Oslo no dia 10 de dezembro. Apesar do atraso, saudou apoiadores e iniciou uma agenda internacional, que incluiu reunião com Trump em 15 de janeiro na Casa Branca, ocasião em que lhe entregou a medalha do Nobel.

Ela também se encontrou com representantes do Congresso dos EUA e, recentemente, com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Albert Ramdin. Machado destacou a importância dos países membros da OEA ouvirem seus cidadãos, enfatizando o apoio dos povos do hemisfério à causa venezuelana.

A OEA permanece dividida sobre a crise na Venezuela, mas Machado afirma que há um caminho claro em direção à restauração da democracia e das instituições.

Situação dos presos políticos

A promessa de liberar presos políticos, feita por Rodríguez, tem avançado lentamente em comparação com outros compromissos firmados com Trump. Familiares relatam cerca de 200 pessoas desaparecidas e exigem do Ministério Público provas de vida. Protestos são realizados na sede do órgão, onde documentos são entregues.

Uma mãe busca seu filho, condenado a 24 anos por suposto envolvimento na operação Gedeón, uma tentativa de derrubar Maduro em 2020. Ela não tem notícias dele há meses e denuncia o desaparecimento de outros envolvidos na mesma operação.

Até agora, cerca de 150 presos foram libertados de um total que ultrapassa 800 detidos, segundo organizações não governamentais.

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