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trump quer estar no monte rushmore e enfrenta resistência de especialistas
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tem demonstrado grande admiração pelo Monte Rushmore e expressado o desejo de incluir seu rosto entre os bustos de George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt.
Durante seu primeiro mandato, Trump confidenciou a Kristi Noem — então representante dos EUA pela Dakota do Sul e atualmente Secretária de Segurança Interna — que seu sonho era fazer parte do Monte Rushmore. Para simbolizar isso, ela presenteou-o com uma maquete do monumento contendo seu rosto.
Desde seu retorno ao poder, essa ideia voltou a ser discutida. Logo no início do ano, uma congressista da Flórida propôs um projeto de lei para que o Secretário do Interior providenciasse a escultura de Trump no memorial nacional. O projeto foi enviado ao Comitê de Recursos Naturais da Câmara, mas ainda aguarda análise.
Em entrevista à nora do presidente, Doug Burgum, secretário do Interior, afirmou que há espaço para o rosto de Trump no Monte Rushmore.
Viabilidade da proposta
Especialistas do Serviço Nacional de Parques, que supervisionam o memorial e são liderados por Burgum, apontam dois obstáculos para novas esculturas: a obra é considerada completa e não há espaço disponível na montanha. A parte esculpida já foi avaliada e não há locais viáveis para adicionar novos rostos.
Essa questão envolve tanto uma consideração filosófica sobre se deve-se alterar o monumento quanto uma limitação física da rocha, que é complexa e apresenta muitas fissuras e instabilidades.
Contexto histórico e perspectivas
O Monte Rushmore é um símbolo cultural que representa figuras históricas-chave dos EUA. O escultor Gutzon Borglum, responsável pela obra entre 1927 e 1941, escolheu os quatro presidentes e definiu suas posições cuidadosamente. Ele foi influenciado pelo historiador Doane Robinson, que idealizava a criação de rostos esculpidos nas Black Hills para atrair turistas.
Ao analisar a rocha, Borglum descartou planos que incluíam escultura de torsos além dos rostos, devido à presença de xisto escamoso e fissuras que tornam a esculpibilidade limitada. Estudos posteriores confirmaram numerosos bloqueios e rachaduras que complicam ou impedem a escultura adicional.
Resistência e opiniões contrárias
Dan Wenk, que foi superintendente do Monte Rushmore entre 1985 e 2001, afirmou que incluir outro rosto seria como modificar obras extremamente valiosas de arte clássica e que mesmo essas ideias, antes impensáveis, têm se tornado mais discutidas.
Historicamente, houve tentativas de incluir outros presidentes como Franklin D. Roosevelt, John F. Kennedy e Ronald Reagan, mas sem sucesso. A iniciativa de Trump é a mais recente e provocativa, especialmente considerando que historiadores frequentemente classificam seu governo entre os piores da história americana.
Paul Nelson, engenheiro geomecânico responsável pelo monitoramento das fraturas na montanha, destacou que uma nova escultura poderia desestabilizar blocos da rocha, tornando a tarefa extremamente difícil ou mesmo impossível.
Projetos alternativos
Em vez de tentar esculpir o rosto de Trump no Monte Rushmore, outras propostas já estão em andamento, como o Jardim Nacional dos Heróis Americanos, destinado a homenagear 250 personalidades americanas, com possibilidade de escultura em locais pouco distantes.
Robin Borglum Kennedy, neta do escultor original, é firmemente contra qualquer alteração no monumento, vendo o Monte Rushmore como um memorial histórico mais do que político, valorizando a homenagem a ideais americanos e não a indivíduos vivos.
Assim, embora a ideia do presidente seja comentada, o equilíbrio entre respeito ao patrimônio, limitações físicas da rocha e a visão histórica predominante indicam que a inclusão do rosto de Trump no Monte Rushmore é improvável.


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