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Trump quer liderar Venezuela como modelo para América Latina
Ao derrubar e retirar o líder venezuelano Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump mostrou estar disposto a tomar todas as medidas necessárias para restaurar a supremacia americana na América Latina, custe o que custar.
A arriscada captura de Maduro e sua esposa foi anunciada neste sábado (3) não como uma vitória da democracia na Venezuela, mas como a demonstração do poder militar dominante de Washington, que mobilizou 150 aeronaves para a operação.
Em uma coletiva de imprensa com tom triunfal e assertivo, Trump ressaltou para aliados e adversários que os Estados Unidos vêm antes de qualquer outro interesse ou aliança.
Washington governará a Venezuela pelo tempo que achar necessário, em colaboração com quem julgar conveniente, e o foco agora é o petróleo, que será protegido por meios militares.
Trump apontou o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, como parte da equipe que administrará o país sul-americano, que tem mais de 31 milhões de habitantes e quase um milhão de km².
“Estaremos presentes na Venezuela em relação ao petróleo, pois enviaremos nossos especialistas. Então talvez precisemos de alguma presença militar, mas não muita”, explicou o presidente.
“Vamos extrair uma grande quantidade de riqueza do subsolo, que beneficiará o povo venezuelano, as pessoas que costumavam viver na Venezuela e também os Estados Unidos como compensação pelos danos que o país nos causou”, indicou.
Trump foi direto também sobre o papel que poderia desempenhar a prêmio Nobel da Paz e líder da oposição, María Corina Machado.
“Ela é uma pessoa muito agradável, mas não inspira respeito”, afirmou.
Machado saiu da Venezuela para receber o Nobel com o apoio decisivo dos Estados Unidos e agora está fora do país em momentos críticos.
A situação altamente instável na Venezuela agora parece favorecer Trump, especialista em tirar proveito do caos político.
“Eles têm uma vice-presidente que recentemente assumiu como presidente”, revelou Trump na coletiva, referindo-se a Delcy Rodríguez, poucas horas após a queda de Maduro.
“Ela teve uma longa conversa com Rubio e disse: ‘Faremos tudo o que vocês precisarem'”, garantiu Trump.
“Na realidade, ela não tem outra escolha”, acrescentou.
Maduro é “o único presidente legítimo da Venezuela”, declarou depois Rodríguez, em Caracas.
Kevin Whitaker, ex-diplomata americano especializado na América Latina, disse estar “extremamente surpreso” ao ouvir Trump criticar Machado.
“Parece que o governo Trump, ao menos aparentemente, está tomando decisões sobre o futuro democrático da Venezuela sem se basear no resultado democrático das eleições”, afirmou Whitaker, hoje no centro de análise Conselho Atlântico.
Esse ataque “é provavelmente apenas o início de uma nova fase de negociação coercitiva”, declarou à AFP Evan Ellis, professor e pesquisador sobre América Latina no Colégio de Guerra dos Estados Unidos.
Cercar-se de aliados estratégicos
“De acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio dos Estados Unidos na América Latina não será mais questionado”, afirmou Trump.
A Casa Branca publicou recentemente uma nova diretriz de política externa que revive a Doutrina Monroe, em referência ao presidente James Monroe.
No século XIX, Monroe declarou que não permitiria a interferência europeia na região, considerada o “quintal” de Washington.
“Nós expandimos essa doutrina consideravelmente”, orgulhou-se Trump.
Quando questionado sobre o benefício americano em governar a Venezuela, respondeu: “Queremos estar cercados por bons vizinhos”.
“Desejamos segurança e estabilidade, com acesso a energia. A Venezuela tem uma enorme quantidade de energia, e é muito importante que a protejamos”, completou.


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