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Uber diz que carros autônomos podem chegar ao Brasil antes do esperado

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A mobilidade autônoma deixou de ser apenas uma ideia futurista para se transformar em uma realidade em cidades como Phoenix, Dubai e Abu Dhabi. A Uber, que já implementa sistemas nessas localidades, revelou que planeja utilizar um modelo híbrido de veículos, com e sem motorista, integrados em sua plataforma.

Recentemente, a Uber Technologies anunciou um investimento de até US$ 1,25 bilhão na fabricante norte-americana Rivian Automotive, com o objetivo de lançar uma frota de robotáxis disponíveis nos Estados Unidos, Canadá e Europa dentro de cinco anos. O plano prevê a introdução de 10 mil robotáxis autônomos Rivian R2 exclusivos no app, iniciando por São Francisco e Miami em 2028.

Em entrevista exclusiva ao GLOBO durante um trajeto em um veículo autônomo nas ruas de Dubai, Noah Zych, gerente global de mobilidade autônoma da Uber, explicou os protocolos de segurança para situações críticas e os desafios de ajustar os algoritmos para o trânsito caótico de grandes metrópoles como São Paulo e Mumbai.

Noah Zych ressaltou que, embora o Brasil seja um dos maiores mercados da Uber, a chegada dos robotáxis por aqui depende de avanços regulatórios e da maturidade das tecnologias para lidar com a complexidade do trânsito local.

O veículo utiliza sensores como LIDAR, câmeras e radares distribuídos por toda a sua extensão, proporcionando uma visão em 360 graus constante. Esses sensores monitoram o ambiente, detectando veículos, pedestres e semáforos, lendo as luzes e operando conforme o mapa.

Sobre o Brasil, Noah Zych afirmou que o país é um mercado muito importante para a empresa e que eles estão ansiosos para introduzir veículos autônomos quando as condições forem adequadas. Atualmente, há uma ausência de fornecedores tecnológicos focados no cenário brasileiro, que é exigente e requer regulamentação específica. Porém, o progresso tecnológico tem sido rápido, e cidades consideradas desafiadoras podem estar mais próximas de receber a condução autônoma do que se imaginava.

O processo para adaptar o carro a uma nova cidade começa com um estudo detalhado das características locais, incluindo o tipo de vias e o clima. Em seguida, o parceiro tecnológico coleta dados para treinar o sistema, cria mapas, realiza testes com operadores humanos e, após validação, inicia os serviços com passageiros. O software é ajustado para as condições específicas de tráfego e ambiente.

A Uber opta por não lançar a tecnologia em locais onde ela não se integra bem às expectativas e ao trânsito local. Inicialmente, o serviço utiliza uma rede híbrida, avaliando se a viagem pode ser realizada por um veículo autônomo, e caso o trajeto seja complexo, um motorista humano é designado para garantir fluidez e segurança.

Em situações de confusão causada por obras ou sinais manuais de policiais, existe um monitoramento remoto constante que permite intervenções rápidas para liberar o tráfego ou encaminhar suporte técnico, caso necessário.

A escolha da Uber por parcerias com empresas como a Baidu, que possuem ampla experiência operacional, e startups como a Wayve, que oferecem abordagens inovadoras, está ligada à diversidade de competências necessárias para viabilizar a mobilidade autônoma, desde a produção até o software e o atendimento ao cliente.

No futuro, espera-se que os usuários possam escolher diferentes marcas e tipos de carros autônomos pelo aplicativo, adaptados a diversas necessidades e preferências, assim como ocorre atualmente com veículos tradicionais.

A experiência do passageiro em carros autônomos é simples e similar à atual: entrar, sentar e afivelar o cinto. É importante que os passageiros não interfiram nos controles do veículo e mantenham o ambiente limpo, pois há monitoramento por câmeras e a possibilidade de cobrança por limpeza em caso de sujeira.

Quanto à responsabilidade em casos de acidentes ou infrações graves, a Uber destaca a estreita colaboração com seus parceiros para garantir manutenção adequada, diligência técnica e operacional, além de exigência de seguros que protejam os usuários.

Esta matéria foi produzida a partir de entrevista realizada por Filipe Vidon, que visitou Dubai a convite da Uber.

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