Mundo
Ucrânia avalia negociação com Rússia em Abu Dhabi como produtiva
A Ucrânia considerou nesta quarta-feira (4) o primeiro dia da segunda rodada de negociações diretas com a Rússia em Abu Dhabi como “produtivo”. As conversas, mediadas pelos Estados Unidos, buscam uma solução diplomática para o conflito entre os países e continuarão na quinta-feira.
Até o momento, não houve consenso sobre o futuro das regiões do leste da Ucrânia. A Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano, exige que Kiev retire suas forças da maior parte da região do Donbass, contendo áreas ricas em recursos naturais, além do reconhecimento internacional das áreas capturadas durante a invasão como pertencentes à Rússia.
No entanto, Kiev defende que o conflito deve permanecer nas atuais linhas de frente e não aceita a retirada unilateral de suas tropas. O governo ucraniano também acredita que ceder território incentivaria novas ações russas e rejeita qualquer acordo que não impeça futuras invasões de Moscou.
Na quarta-feira, o Kremlin afirmou que continuará a ofensiva militar até que a Ucrânia aceite suas condições. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou: “Enquanto o regime de Kiev não tomar a decisão correta, a operação militar especial continuará”.
Por sua vez, o porta-voz da diplomacia ucraniana, Heorhii Tykhyi, afirmou que as negociações buscam compreender as reais intenções russas e americanas, focando em questões militares e político-militares.
O principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, afirmou nas redes sociais que o diálogo foi significativo, produtivo e voltado a soluções práticas e passos concretos.
Para representar a Rússia, esteve presente o diretor de inteligência militar Igor Kostiukov, enquanto os Estados Unidos enviaram o enviado especial Steve Witkoff e seu genro, Jared Kushner. Apesar dos avanços, uma análise indica que o Exército russo precisaria de cerca de 18 meses para controlar totalmente a região restante.
A Rússia também reivindica partes das regiões de Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia, controlando porções de pelo menos outras três regiões do leste ucraniano. A maioria dos ucranianos rejeita qualquer acordo que ceda territórios a Moscou em troca da paz, conforme pesquisas recentes, valorizando a resistência contínua de suas forças.
A União Europeia teme estar sendo deixada de fora do processo, embora países como França e Reino Unido estejam buscando criar uma força de manutenção da paz para atuar na Ucrânia caso um acordo seja alcançado. A embaixadora da União Europeia no país, Katarina Mathernova, ressaltou a importância estratégica de a Europa participar das negociações.
No cenário militar, a Rússia continua avançando, apesar das perdas humanas significativas. Nesta quarta-feira, um bombardeio russo contra um mercado em Druzhkivka, no leste, matou pelo menos sete pessoas e feriu 15, segundo o governador regional Vadim Filachkin.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, tem pedido aos aliados ocidentais que intensifiquem o envio de armas e aumentem a pressão econômica e política sobre Moscou.
Entre a população ucraniana, há um ceticismo generalizado sobre os resultados das negociações. Petro, residente em Kiev, comentou: “Acredito que tudo isso é apenas um espetáculo para a população. Devemos estar preparados para o pior, mas esperar o melhor”.
Já em Moscou, o otimismo predomina. Larisa, aposentada com família na Ucrânia, comentou: “Todos esperam e estão bastante esperançosos com as negociações”. Um engenheiro chamado Anton acrescentou: “Isso precisa acabar algum dia, todos estão exaustos”.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login