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UE garante resposta firme às ameaças de Trump sobre Groenlândia
A União Europeia declarou nesta terça-feira (20) que dará uma resposta firme às ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito da Groenlândia, em preparação para uma reunião em Davos sobre o futuro da ilha no Ártico.
Desde que assumiu novamente a presidência há um ano, Trump manifestou seu desejo de controlar esse território autônomo da Dinamarca, alegando questões de segurança nacional e afirmando que, caso os EUA não o façam, a Rússia ou a China poderiam tomar conta da região.
Para alcançar esse objetivo, ele ameaçou aplicar tarifas a oito nações europeias, incluindo Reino Unido, França e Alemanha, que se opuseram fortemente ao seu plano expansionista.
Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial, realizado na estação de esqui na Suíça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que tal iniciativa de Trump poderia resultar em uma deterioração grave nas relações entre a União Europeia e os Estados Unidos.
Von der Leyen afirmou: “As tarifas propostas são um erro, especialmente entre aliados de longa data. Entrar em uma espiral negativa só beneficiará os adversários que ambos desejamos manter longe do cenário estratégico. Portanto, nossa resposta será firme, unida e proporcional.”
Trump divulgou uma montagem na sua rede social Truth Social com uma imagem sua fincando uma bandeira em um cenário gelado, com uma placa que diz: “Groenlândia – Território dos Estados Unidos. Est. 2026”.
Além da Groenlândia, o Fórum Econômico Mundial discute temas delicados como conflitos em Gaza, Ucrânia, Irã e Venezuela. Representando a América Latina, participam os presidentes Javier Milei (Argentina), José Raúl Mulino (Panamá) e Daniel Noboa (Equador).
Trump comentou que não acredita em grande resistência dos líderes europeus ao seu desejo de comprar a Groenlândia e afirmou: “Temos que conseguir”.
Os líderes da UE planejam se reunir em Bruxelas na quinta-feira para decidir a resposta oficial à crise, que representa um dos maiores desafios para as relações transatlânticas nas últimas décadas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, que deixará Davos sem encontro com Trump, propôs a realização de uma cúpula do G7 na quinta-feira em Paris, sugerindo ainda convidar delegados da Dinamarca, Ucrânia, Síria e Rússia para um encontro à margem da reunião.
As relações entre Trump e Macron se agravaram quando o presidente dos EUA ameaçou impostos elevados sobre vinhos e champanhes franceses após a França sinalizar que não participaria do conselho de paz proposto por Trump, que inclui convidados como o presidente russo Vladimir Putin.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, mencionou a intenção de se reunir com Trump em Davos para evitar uma escalada do conflito.
O Kremlin indicou que o enviado russo, Kirill Dmitriev, também planeja se encontrar com a delegação americana em Davos.
O vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, que tem relações comerciais tensas com os EUA, discursou no fórum alertando contra o retorno a uma “lei da selva”, em que os mais fortes exploram os mais fracos.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que busca diversificar a economia evitando dependência dos EUA, também discursará no evento.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, estava previsto para comparecer ao fórum, mas cancelou sua participação por estar doente.

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