Brasil
Um em cada três adolescentes tem vontade de se ferir, diz pesquisa
Alerta: esta reportagem aborda temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está enfrentando dificuldades, veja ao final do texto onde buscar apoio.
Uma pesquisa nacional envolvendo jovens estudantes entre 13 e 17 anos, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta dados preocupantes sobre a saúde mental dos adolescentes brasileiros, especialmente das meninas.
Conforme os dados divulgados, 32% dos estudantes disseram já ter sentido o desejo de se machucar intencionalmente. Entre as garotas, este índice sobe para 43,4%, enquanto entre os meninos é de 20,5%.
De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), automutilação é um ato de lesão autoinfligida sem intenção de causar a morte. Esta foi a primeira vez que essa pergunta foi incluída na pesquisa. Os resultados estão alinhados com outros estudos nacionais sobre automutilação, conforme pesquisadores do IBGE.
Segundo informações do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, da Fiocruz da Bahia, registros do Ministério da Saúde indicam que os casos de automutilação entre jovens de 10 a 24 anos no Brasil têm crescido 29% ao ano entre 2011 e 2022. Em 2022, as mulheres apresentaram taxas mais do que o dobro dos homens.
Os especialistas do IBGE alertam que a vontade de se machucar pode se transformar em ação e ressaltam a gravidade desse indicador.
Sentimentos de tristeza e desesperança
A pesquisa também revelou que 25% das meninas adolescentes acreditam que a vida não vale a pena ser vivida, mais que o dobro dos meninos (12%).
Estudantes da rede pública apresentaram maior vulnerabilidade, com 19,4% manifestando esse sentimento, contra 13,9% da rede privada.
As meninas foram as que mais relataram tristeza, preocupação, irritação, automutilação, sensação de abandono e desesperança, de acordo com os pesquisadores.
Diferenças regionais
Por região, o Norte apresentou a maior porcentagem (20,8%) de jovens com sensação de que a vida não tem sentido, enquanto Sul e Sudeste ficaram com os índices mais baixos (17,6%). Amazonas e Amapá tiveram os maiores valores entre os estados (23,9%), e Rio Grande do Norte (15,3%) e Rio Grande do Sul (15,1%) os menores.
Situação mundial
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada sete jovens de 10 a 19 anos no mundo sofre de algum transtorno mental, correspondendo a aproximadamente 15% da carga global de doenças nessa faixa etária. Depressão, ansiedade e problemas comportamentais são os mais comuns. O suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos.
Onde buscar ajuda
- Centro de Valorização da Vida (CVV): serviço gratuito de apoio emocional disponível 24 horas por dia, por telefone (188), e-mail ou chat no site.
- Canal Pode Falar: iniciativa do Unicef para escuta a jovens entre 13 e 24 anos via WhatsApp, de segunda a sexta, das 8h às 22h.
- SUS – Centros de Atenção Psicossocial (Caps): unidades especializadas para atendimento a transtornos mentais, incluindo para crianças e adolescentes.
- Mapa da Saúde Mental: plataforma que lista serviços de atendimento psicológico gratuitos presenciais e online, além de oferecer orientações sobre transtornos mentais.


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